Carla Araújo

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Reportagem

Sidônio põe sua digital em entrevista e quer Lula como 'motor de conteúdo'

Preparada pelo publicitário Sidônio Palmeira, novo ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), a entrevista coletiva do presidente Lula na manhã de ontem (30) deu sinais de como o governo quer tentar arrefecer as crises e melhorar a comunicação.

Sidônio, que, segundo outros ministros, foi a grande estrela da reunião ministerial do último dia 20, avisou que quer tornar o presidente o "motor de conteúdo" do governo. Isso significa —como confirmou Lula na entrevista— que caberá a ele falar mais com os jornalistas.

O publicitário encampou uma crítica antiga de apoiadores ao governo Lula 3: falta narrativa. E uma marca.

A nova comunicação entende que Lula tem de assumir as rédeas e pautar o debate, não só reagir às situações. Não por acaso, o presidente disse que falaria mais para tentar acabar com o "off", jargão jornalístico para entrevistas que não revelam a fonte.

Na conversa que antecedeu a coletiva, Lula foi preparado para dar sinais ao mercado financeiro de compromisso com o ajuste fiscal e de não intervenção na Petrobras. Ele respondeu sobre a alta de juros sob o comando de Galípolo e estava treinado para defender o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tinha acabado de ser alvo de Gilberto Kassab, presidente do PSD, que classificou Haddad como enfraquecido.

Eu acho que o Kassab foi injusto com o significado do companheiro Haddad no Ministério da Fazenda. Presidente Lula, em coletiva de imprensa

'Central de Monitoramento de Prontas Respostas'

Sidônio também avisou ao presidente e aos novos colegas que pretende criar uma "Central de Monitoramento de Prontas Respostas", para evitar que o governo perca narrativas ou entre tarde demais em disputas, como aconteceu no caso do Pix, que obrigou o presidente Lula a desfazer uma medida criada pela Fazenda.

O ministro da Secom acompanhou a entrevista, que durou cerca de uma hora e 30 minutos, ao lado direito de Lula, atento, mas longe das câmeras. Coube ao novo secretário de Imprensa, Laércio Portela, conduzir a coletiva.

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O publicitário baiano, diferentemente do seu antecessor Paulo Pimenta, não quis aparecer, mas acenava positivamente com a cabeça quando Lula adotava um tom moderado em suas falas.

Quando Lula confirmou publicamente que falaria mais, o publicitário acenou positivamente com a cabeça, ao fundo. Ele agia como um técnico de futebol que acompanhava atento as mudanças no time preparado por ele, mas sem entrar em campo.

Entre os que aguardam resultados do "modo Sidônio", alguns desconfiados, a avaliação é de que o publicitário é técnico e reservado demais para um baiano, brincam.

Próximo ao também baiano Rui Costa (Casa Civil), Sidônio até deu palanque para o ministro nos primeiros dias. Mas os deslizes seguidos —como a fala sobre interferência no preço dos alimentos ou sobre a mexida em impostos de importação— reforçaram que a estratégia é mesmo usar cada vez mais as falas do presidente.

A ideia é adotar o mesmo modus operandi da campanha vitoriosa de 2022: colocando Lula no centro do debate e das atenções —coisa que Pimenta evitava, para 'blindar o chefe'.

Lula deu "carta branca" ao seu novo ministro, que demitiu assessores de confiança do presidente. Lula queria trazer Sidônio ainda na transição, mas o publicitário só aceitou o convite agora, com o desafio de acertar os ponteiros do governo para 2026.

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Uma das mudanças é a estratégia na área digital. Sidônio tem usado como mantra —aprovado por Lula— que as informações do governo precisam chegar à população da forma mais clara possível.

Para isso, promete uma digitalização da gestão, com ministérios criando contas no TikTok e Lula sendo protagonista de mais vídeos gravados diretamente para o Instagram, e uma melhor relação com a imprensa, com repasse de dados de forma mais transparente e ágil.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

81 comentários

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Marco Martins

Essa turma tem a plena convicção que o povo é idiota e por isso basta mudar o publicitário que tudo estará resolvido.  Mas a verdade é que enquanto a população continuar vendo o carrinho do mercado cada vez mais vazio,  os juros dos empréstimos na estratosfera e os combustíveis subindo,  não tem merchan que dê jeito!!!! A popularidade desse governo só tende a piorar. 

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Marcos Augusto Pereira da Silva

Ele mentiu os números, mentiu o tempo todo e a imprensa até agora não disse nada

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Ana Claudia Santos Lima

Foi maravilhosa a entrevista, show

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