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Carolina Brígido

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Governadores do NE acusam PGR de atuar a favor do governo federal na CPI

O procurador-geral da República, Augusto Aras - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
O procurador-geral da República, Augusto Aras Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Carolina Brígido

Escreve sobre Judiciário, especialmente o STF, desde 2001. Participou da cobertura do mensalão, da Lava-Jato e dos principais julgamentos dos últimos anos. Foi repórter e analista do jornal "O Globo" de 2001 a 2021. Foi colunista a revista "Época" de 2019 a 2021.

Colunista do UOL

27/04/2021 23h49Atualizada em 28/04/2021 00h22

Os nove governadores do Nordeste enviaram na noite desta terça-feira (27) um pedido para que o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) abra um procedimento disciplinar contra a subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo.

O grupo acusa Lindôra de cometer abuso de autoridade ao enviar aos estados ofício acusando os governadores de malversação dos recursos para o combate à pandemia do coronavírus.

No documento, os governadores afirmam ainda que a PGR (Procuradoria-Geral da República) agiu politicamente como aliada do governo federal ao encampar o discurso de que os governadores são culpados pela má gestão do combate à covid-19 - e, dessa forma, subsidiar senadores governistas na recém-instalada CPI. O CNMP é presidido por Augusto Aras, procurador-geral da República.

Na segunda-feira (19), Lindôra enviou ofício aos estados em que pede explicações aos governadores sobre "desativação dos referidos hospitais (de campanha), bem como o prejuízo causado ao erário, não só em relação às vidas com a falta atual de leitos como o decorrente da verba mal utilizada".

A coluna pediu na noite desta terça um pronunciamento à PGR sobre o assunto. Se houver resposta, o texto será atualizado.

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A subprocuradora-geral da República, Lindôra Araujo
Imagem: Gil Ferreira/Agência CNJ

'Animosidade pública intensa'

Os governadores nordestinos afirmam que Lindôra agiu com "animosidade pública intensa e notória". Para eles, os elementos buscados pela procuradora "subsidiam o discurso do governo federal no panorama da novel Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada com vistas à investigação das ações administrativas, particularmente em âmbito federal, no combate à pandemia".

"Um olhar atento sobre a atuação da PGR verifica que há um direcionamento de esforços para encontrar indícios que tragam descrédito para as administrações estaduais e municipais junto aos cidadãos brasileiros ao passo que se observa uma discrepante tolerância com todas as graves falhas do governo federal no combate à pandemia de covid-19", lê-se no texto.

Os governadores também ponderam que o Giac-Covid-19 (Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia do Coronavírus-19) foi criado para coordenar os órgãos especializados do Ministério Publico, e não para instaurar procedimentos investigativos ou criminais contra ações dos governos locais. Eles pedem o afastamento de Lindora do Giac-Covid-19, além da anulação de todos os seus atos à frente do órgão.

"Ao pronunciar acusação direta contra governadores de Estado em documento público à míngua de suficientes elementos documentais de convicção, Sua Excelência (Lindora) toma parte em polarização federativa de cunho político, desnuda convicções pessoais e trai sua falta de isenção para a condução do procedimento investigativo, devendo ser afastada por motivo de suspeição", conclui o documento, que leva a assinatura dos governadores do Piauí, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.