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Chico Alves


Apesar da promessa de Maia, Câmara não vai facilitar aprovação do pacotaço

Bolsonaro, Guedes e Onyx entregaram a Alcolumbre, na presença de senadores, o pacote  - Pablo Valadares/Ag. Câmara
Bolsonaro, Guedes e Onyx entregaram a Alcolumbre, na presença de senadores, o pacote Imagem: Pablo Valadares/Ag. Câmara
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

08/11/2019 13h21

Mesmo com todo empenho que prometeu na entrevista publicada hoje na Folha de S. Paulo, não vai ser fácil para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vencer as resistências de seus colegas deputados ao pacotaço econômico apresentado pelo governo na segunda-feira. Difícil encontrar algum parlamentar que não faça duras críticas à iniciativa, não importa a legenda. Os problemas são tanto de forma quanto de conteúdo.

De saída, como já foi bastante comentado, o fato de o Executivo ter usado o Senado como porta de entrada do pacote quebra o rito normalmente usado nesses casos. "Começou mal, proposta do governo tem que se iniciar pela Câmara", criticou à coluna o deputado Ricardo Barros (PP-PR). "Para começar pelo Senado as propostas terão que ser subscritas por senadores". A mesma reclamação é feita por vários outros deputados.

Outra objeção: o envio de muitas propostas, em áreas diferentes da economia, justamente quando o ano legislativo vai chegando ao fim. "Esse ano praticamente acabou", observa o deputado Christino Áureo (PP-RJ). "Embalar tudo sob a forma de pacote ocupa muitas frentes de trabalho na Casa e desperdiça energia". Para Áureo, é como se o governo juntasse muitos problemas na área econômica e despejasse no Congresso. "Aí depois vai ter gente dizendo que os problemas foram encaminhados, mas o Congresso não resolveu", antevê o parlamentar pepista.

O ex-líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir (PSL-GO), acredita que faltou sensibilidade à equipe de Jair Bolsonaro. "O governo está fora do timing político", disse ele. "Rodrigo Maia por várias vezes disse que colocaria a reforma tributária como prioridade. Mas parece que o governo se contrapôs à vontade do presidente da Câmara". Waldir reclama da falta de sugestões na área social. "Nesse pacote não tem geração de empregos, combate à pobreza, algo que é extremante importante para o país desse momento".

Muitos deputados, aliás, fazem críticas à falta de propostas para beneficiar a população mais necessitada. "Pelo contrário, estão aprofundando a desigualdade", avalia Paulo Ramos (PDT-RJ). "E ainda tem a mentira de que vão levar mais recursos para estados e municípios. Divulgam um volume total que parece alto, mas em 15, 20 anos é muito pouco". Para o pedetista, o governo entulhou o Congresso com o pacotaço e vai demorar até que seja tudo compreendido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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