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Chico Alves


Caso Arthur do Val mostra que autocrítica do MBL não foi pra valer

Arthur do Val discutiu com deputados e sindicalistas durante a votação da reforma da Previdência na Alesp - Arthur do Val discutiu com deputados e sindicalistas durante a votação da reforma da Previdência na Alesp
Arthur do Val discutiu com deputados e sindicalistas durante a votação da reforma da Previdência na Alesp Imagem: Arthur do Val discutiu com deputados e sindicalistas durante a votação da reforma da Previdência na Alesp
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

09/12/2019 17h21

Há pouco mais de cinco meses, o controvertido Movimento Brasil Livre, que foi um dos puxadores das manifestações de rua pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, anunciou que faria autocrítica. Em entrevista aos jornalistas Carolina Linhares e Fabio Zanini, da Folha de S. Paulo, o coordenador nacional do MBL, Renan Santos, admitiu que sua turma tinha aberto a "caixa de Pandora de um discurso polarizado".

Renan reconheceu que seu grupo exagerou em alguns momentos e prometeu "paz e amor na forma de dialogar com o outro". Também Kim Kataguiri, que ganhou fama com o mesmo movimento e acabou se elegendo deputado federal, fez mea culpa quanto a excessos em relação à esquerda e outros temas.

A versão light, porém, não durou muito.

Atualmente sem partido e ativista do Movimento Brasil Livre, o deputado estadual Arthur do Val (conhecido pelo apelido "Mamãe Falei") virou notícia nacional pelas cenas lamentáveis que protagonizou na Assembleia Legislativa de São Paulo, na quinta-feira passada. Da tribuna, chamou alguns servidores que estavam nas galerias de "bando de vagabundos". Diante da reação de parlamentares de esquerda (também lamentável) que ameaçaram agredi-lo, cerrou os punhos e provocou: "Ah, ficou ofendidinho?"

Entre tantos episódios lamentáveis na política nacional, este foi, sem dúvida, um dos top 5 do ano.

Como reagiu o MBL reagiu ao barraco? Não só apoiou o deputado, mas foi além. Estampou uma camiseta com um desenho de Arthur do Val com a atitude agressiva e a frase: "Ficou ofendidinho?" A peça está em pré-venda.

Hoje, o deputado foi novamente xingado e disse que precisou de escolta de quatro policiais para se sentir em segurança. Com certeza, isso não deveria acontecer. Espera-se que os dois lados (deputado e servidores) deixem a agressividade de lado e partam para o diálogo, que é a base da política. Esse item tem feito muita falta à vida pública nacional nos últimos tempos.

Porém, assim como chamar funcionários públicos de "vagabundos", estampar a imagem de Arthur do Val em posição de briga na camisa do MBL não contribui em nada para pacificar as coisas. Pelo contrário. Mantém o grupo no mesmo clima de provocação desrespeitosa que o marcou e do qual dizia ter-se arrependido.

Pelo jeito, a tal autocrítica do MBL não era pra valer.

Chico Alves