PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Chico Alves


Para economista, reservas são "colchão de segurança" do Brasil na crise

Raul Velloso - Divulgação
Raul Velloso Imagem: Divulgação
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

10/03/2020 04h00

Em meio ao cenário desolador, com as bolsas de todo mundo esmagadas pela epidemia do novo coronavírus e pela disputa de preços do petróleo, o economista Raul Velloso pede calma. "Primeiro temos que entender o que está acontecendo e então atuar nos setores em que as consequências serão mais fortes", diz ele. Velloso é consultor, especialista em contas públicas e foi secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento.

Apesar de reconhecer o tamanho da crise, o economista destaca que o Brasil conta com um importante trunfo a seu favor. "Temos reservas em bilhões de dólares como nunca tivemos na vida para evitar os choques violentos quando a moeda americana sobe muito", diz ele. "Esse recurso evita os picos muito grandes".

Velloso explica que com isso o governo não precisa correr atrás do dólar. "Situação diferente da década de 80, quando era preciso buscar a moeda americana todo dia para não ter ruptura. Hoje nós temos um colchão de segurança". As reservas internacionais, amealhadas nos governos de Lula e Dilma Rousseff, fecharam 2019 na casa de US$ 359 bilhões.

Vários países também têm anteparos para evitar uma crise mais profunda, diz o especialista. "O mundo inteiro está aparelhado para se defender, há esse colchão de liquidez que é gigantesco. Com taxa de juros negativa no plano mundial, há dinheiro bastante para evitar um acirramento recessivo", acredita Velloso.

O economista não concorda com a receita do ministro da Economia, Paulo Guedes, que sugere as reformas como solução para superar a crise.

"Imagina discutir reformas num clima desses? Reforma, de um modo geral, é algo que vem com dor. No meio de uma crise dessas, vão entrar com uma reforma administrativa, por exemplo?", questiona. "Qualquer gesto que signifique tirar qualquer coisa de alguém, nesse momento, eu acho fora de propósito. Devemos pensar em como nos defendermos de um choque e o que fazer".

Na década de 70, recorda Velloso, durante a crise do petróleo, houve pânico e se imaginou que o Brasil iria ao fundo do poço por não ter petróleo. Foi quando surgiu a reciclagem dos petrodólares. "É preciso ter paciência e agir com racionalidade que as coisas vão se arrumando", acredita.

Chico Alves