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Chico Alves


Atletas brasileiros de futsal não podem sair do Irã, onde pandemia é forte

Ale Falcone, goleiro do time iraniano Git Pasand - Divulgação
Ale Falcone, goleiro do time iraniano Git Pasand Imagem: Divulgação
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

09/04/2020 14h32

Entre os brasileiros que estão no exterior e foram pegos de surpresa pela pandemia do coronavírus, Ale Falcone e Walex dos Santos vivem um drama diferente. Os dois jogam futsal na cidade iraniana de Isfahan, no clube Git Pasand. Apesar de o país ser um dos que tiveram maior número de casos da doença, eles estão impedidos de voltar ao Brasil por conta de uma indefinição no calendário nacional do esporte. "Faltam duas rodadas para a final e eles não decidiram ainda se completam ou não o campeonato", diz Falcone, que é goleiro.

O Irã vem ganhando destaque no futsal. Na última Copa do Mundo da modalidade, a seleção iraniana eliminou o Brasil nas quartas-de-final. As condições financeiras são muito boas para os atletas e foi por isso que os dois jogadores aceitaram o convite para atuar lá, para onde viajaram em agosto.

"Já devíamos estar em casa há um mês, mas com essa paralisação ficamos sem saber quando voltamos", diz Falcone. As passagens de volta ao Brasil, com escala no Catar, custavam cerca de US$ 500 e agora passaram para US$ 2 mil.

 Walex dos Santos e Ale Falcone  - Divulgação
Walex dos Santos e Ale Falcone
Imagem: Divulgação

Não é fácil para eles conseguirem informações confiáveis sobre a escalada da pandemia no Irã. "A gente fica sabendo mais pela imprensa brasileira, porque aqui é bem difícil se informar por causa da língua e porque o governo não divulga os dados corretos", explica.

Apesar de o governo ter recomendado que as pessoas não saiam às ruas, os brasileiros dizem que muita gente não obedece.

Falcone, de 29 anos, é casado e tem um filho, que completa sete anos no dia 30. "Tudo o que eu mais quero é rever minha família", diz.

Santos, que joga como ala esquerdo no time do Git Pasand, tem 26 anos e não é casado, "É uma situação delicada porque não temos informações concretas, não sabemos quando vamos poder voltar para o Brasil", lamenta. "Estamos aflitos".

Os dois são os únicos brasileiros a jogar no campeonato de futsal iraniano. O Ministério do Desporto do Irã anunciou hoje no Twitter que vai definir a questão na próxima semana. Enquanto isso, os dois vão continuar na expectativa.

Chico Alves