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Chico Alves


Mais uma vez, Bolsonaro vai contra a ciência e potencializa a pandemia

Jair Bolsonaro e Nelson Teich - Pedro Ladeira/Folhapress
Jair Bolsonaro e Nelson Teich Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

15/05/2020 13h15

Menos de um mês após tomar posse como ministro da Saúde, Nelson Teich não suportou a pressão do presidente Jair Bolsonaro contra o isolamento social e pela liberação da cloroquina. Pediu o boné. Em meio à maior pandemia da história da humanidade o governo terá que nomear para a principal pasta de enfrentamento ao coronavírus o terceiro nome em tão pouco tempo. Tudo por causa de Bolsonaro, que resolveu acelerar a produção de sua usina de crises justamente quando milhares de brasileiros lutam contra a covid-19.

São mais de 14 mil mortes por coronavírus, segundo os dados oficiais, mas isso parece interessar pouco ao presidente. Só pensa em fazer todos voltarem ao trabalho para, segundo ele, não quebrar a economia. Se não por solidariedade ao sofrimento dos brasileiros, Bolsonaro deveria reconsiderar essa posição ao menos porque a multiplicação de óbitos trará graves prejuízos econômicos.

Mas o presidente não reconsidera nada, nunca. Insiste no erro até o final.

Assim, como foi mostrado na coluna de ontem, o Brasil vive a situação peculiar de ter como principal obstáculo ao enfrentamento da tragédia sanitária o próprio presidente da República.

Não que Teich estivesse dando conta da tarefa, pelo contrário. Mas ao menos não admitiu se curvar aos delírios do presidente sobre fim do isolamento e liberação da cloroquina. Seja quem for o substituto, Osmar Terra, Eduardo Pazuello ou qualquer outro, terá que se submeter à linha amalucada de Bolsonaro.

Tudo sob o olhar plácido dos generais que ocupam cargos no governo e, assim como o vice-presidente Hamillton Mourão, acreditam que os problemas da crise brasileira se devem à Câmara, ao Senado, ao Supremo Tribunal Federal.

Não enxergam que, se os governadores e prefeitos tentam se virar como podem para salvar pacientes e profissionais de saúde da doença, é porque o governo central não tem um plano.

O responsável por esse caos não está em outro ponto de Brasília, senão no próprio Palácio do Planalto. Isso ficará registrado na história, mas aí já será tarde demais para dezenas de milhares de brasileiros.

Chico Alves