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Chico Alves


Bolsonaro mente mais uma vez. Agora, sobre o Fundeb

Publicação de Jair Bolsonaro no Facebook - Reprodução
Publicação de Jair Bolsonaro no Facebook Imagem: Reprodução
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

22/07/2020 12h08

É constrangedor afirmar que o presidente da República, eleito por milhões de brasileiros, lança mão da mentira como ferramenta de governo. Mas não há como fugir dessa constatação diante do comportamento de Jair Bolsonaro. Seguidamente, ele inventa fatos e os arremessa na imprensa ou nas redes sociais com a maior naturalidade.

A lista de lorotas é extensa, desde a "denúncia" feita na visita aos Estados Unidos de que houve fraude na eleição de 2018 (vencida, aliás, por ele próprio) à recente acusação de que a esquerda defende a pedofilia. Isso para não falar da campanha eleitoral, com as invencionices do tipo kit gay.

A última cascata de Bolsonaro é vangloriar-se nas redes sociais pela aprovação do Fundeb. Na postagem, ilustrada por uma foto em que o presidente aparece ao lado de aluno de uma escola militar (que nada tem a ver com o fundo aprovado), o texto diz que o governo "faz na Educação". E explica: "Transformamos o Fundeb em permanente, aumentamos os recursos e o colocamos na Constituição".

Essa primeira pessoa do plural não se justifica.

Quem transformou o Fundeb em permanente, aumentando os recursos e sacramentado em texto constitucional foi o Congresso.

O governo jogou o tempo todo contra. Primeiro queria que a Educação ficasse sem o dinheiro do fundo no ano que vem, depois tentou tirar recursos dos estudantes para transferir a programas sociais — uma pedalada — e, por fim, os parlamentares governistas fizeram o possível para obstruir a votação.

Enquanto o debate acontecia na Câmara, as redes sociais bolsonaristas faziam chegar aos trend topics do Twitter a inacreditável hashtag #FundebNão. Isso mesmo: essa turma torceu para que professores e alunos brasileiros ficassem à míngua.

Bolsonaro, Paulo Guedes e cia. perderam de lavada e foram obrigados a aceitar um acordo de última hora. Os únicos a votar contra foram sete deputados muito parceiros do capitão. Agora, o presidente quer capitalizar a aprovação do fundo simplesmente inventando uma história nas redes sociais.

Há quem chame de pós-verdade, fake news ou narrativa. Infelizmente, não há como escapar à palavra que os dicionários da língua portuguesa empregam para definir o recurso usado mais uma vez por Bolsonaro: mentira.

Chico Alves