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Chico Alves


Chico Alves

Deputadas do PSOL do RJ denunciam deputado do Novo por associá-las ao crime

Renata Souza e Mônica Francisco - Divulgação
Renata Souza e Mônica Francisco Imagem: Divulgação
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

07/08/2020 19h19

Deputadas do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio, Mônica Francisco e Renata Souza protocolaram hoje uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Alexandre Freitas (Novo). Ambas negras e oriundas de comunidades pobres cariocas, elas acusam Freitas de insinuar que têm relação com o crime organizado. Na quarta-feira 5, o deputado defendia que a esquerda parasse de falar "bobagem" sobre a polícia, quando emendou que "coincidentemente" as duas deputadas "vieram de uma comunidade onde a facção que é mais violenta a domina".

Renata diz que sentiu um misto de tristeza e revolta ao ouvir o que disse Freitas. "É muito preconceito, muita discriminação e uma leviandade que extrapola a ética parlamentar. Não podemos naturalizar violências como essa", diz ela. "Criminalizar a favela é criminalizar um terço da população do Rio de Janeiro".

Para Renata, que é pré-candidata do PSOL à Prefeitura do Rio, esse ataque foi um "prenúncio do que virá na corrida eleitoral".

Por sua vez, Mônica custou a acreditar no que o deputado falou. "Entendi o quanto de teor racista e preconceituoso estava impregnado o discurso do deputado", relata ela. "É repulsa pela presença de pessoas como eu num espaço de poder historicamente visto como não sendo franqueado para quem tem a minha origem, a minha história de vida, a minha cor".

A deputada diz que houve vários ataques semelhantes na Alerj. "Os partidos ultraconservadores relacionaram nosso nome a traficantes, apoio a traficantes, defesa do crime organizado e insinuações racistas. Isso é uma recorrência, infelizmente", lamenta. "Esse caso não pode ser jogado para baixo do tapete, a sociedade fluminense merece uma resposta".

Alexandre Freitas diz que as acusações são fruto de uma distorção. "Lamento que, em meio a casos reais de racismo como o do entregador Mateus, as duas deputadas não tenham a responsabilidade com as palavras que o cargo que elas ocupam exige", diz ele. "De forma leviana e sem qualquer cerimônia, acusam e fabricam mentiras contra mim e distorcem os fatos". .

Antes de se candidatarem, tanto Renata quanto Mônica trabalharam na Câmara Municipal do Rio, na equipe da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Chico Alves