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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Deputados devem impedir que Congresso se transforme no Capitólio americano

Invasão do Capitólio - Reprodução de vídeo
Invasão do Capitólio Imagem: Reprodução de vídeo
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

19/02/2021 12h35

O clima de tensão política, que por meses tomou conta do país, chegou ao ápice na manifestação realizada à frente da sede do Parlamento. Dentro do prédio, os deputados julgavam estar seguros.

Mas, apesar do forte aparato de segurança, os manifestantes forçaram as portas e conseguiram entrar. Depois de suplantar a polícia do Congresso, a multidão invadiu os corredores e chegou ao plenário, onde ocorreria a sessão daquela tarde. Aterrorizados, os políticos tiveram que fugir às pressas.

A descrição acima é de fatos ocorridos em janeiro, nos Estados Unidos. Mais precisamente, a invasão do Capitólio, centro do Legislativo americano, por militantes de extrema-direita que apoiam o presidente Donald Trump e tentavam impedir a proclamação do resultado da última eleição, em que ele foi derrotado.

A cena da invasão aconteceu no passado recente, mas parece que aqui no Brasil o mesmo roteiro está sendo preparado para que se repita no futuro. E talvez com desfecho mais trágico.

O alerta foi feito ontem no Twitter, pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele se referiu ao caso Daniel Silveira (PSL-RJ) sem citar o nome do parlamentar valentão e criticou o uso de "tolerância com intolerantes".

"Ou agimos agora, ou corremos o risco de testemunhar aqui as cenas patéticas de uma horda de lunáticos medievais invadindo o Congresso em nome de uma causa que só existe na cabeça deles", argumentou Maia.

O aviso não serve somente para o caso do deputado do PSL que gravou em vídeo ameaças e ofensas ao Supremo Tribunal Federal, além de fazer apologia do AI-5. Como ele, há outros parlamentares que ganharam mandato em 2018 dispostos a destruir as instituições por dentro.

Por isso vemos a aparente contradição de deputados figurando entre os investigados pela organização de protestos antidemocráticos que até o início do ano passado defendiam, entre outras coisas, o fechamento do Congresso onde eles próprios atuam.

Essa turba bolsonarista, mais barulhenta nas redes sociais que fora dela, precisa ser contida. Seus objetivos estão claros e não são nada positivos para a democracia brasileira.

Alguns usam o beneplácito das urnas para agir contra a política e os políticos. No lugar destes, querem implantar um sistema autoritário, nova versão do fascismo.

O episódio da invasão do Capitólio serviu para mostrar o quanto esses malucos são perigosos. O ídolo dessa trupe, presidente Jair Bolsonaro, já disse com todas as letras que em 2022 pode acontecer por aqui algo pior do que ocorreu nos Estados Unidos.

Para seu próprio bem, é hora de os políticos brasileiros firmarem uma posição. Se a horda de desequilibrados avançar ainda mais, ninguém estará seguro, nem mesmo o experiente time de parlamentares do Centrão que nesse momento está abraçado a Bolsonaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL