PUBLICIDADE
Topo

Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A cada revelação, 'Bolsolão' aponta para a ponte Brasília x Rio de Janeiro

Jair, Carlos e Flavio Bolsonaro - Flick Bolsonaro/Reprodução
Jair, Carlos e Flavio Bolsonaro Imagem: Flick Bolsonaro/Reprodução
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

25/03/2021 13h41

Vai ficando para trás o tempo em que o esquema de apropriação do dinheiro dos funcionários de gabinetes era assunto exclusivamente ligado a Flávio Bolsonaro, por conta dos anos em que atuou na Assembleia Legislativa do Rio. A investigação do Ministério Público fluminense joga luz também sobre movimentações curiosas por parte de funcionários do vereador Carlos Bolsonaro e do patriarca da família.

A ponte Brasília x Rio de Janeiro remonta à época em que Jair Bolsonaro.era deputado federal. Fabrício Queiroz e sua filha Nathalia, por exemplo, bateram ponto no gabinete da Câmara dos Deputados antes serem flagrados no esquema encabeçado pelo filho 01, Flávio.

Reportagem de Amanda Rossi, Flávio Costa, Gabriela Sá Pessoa e Juliana Dal Piva publicada hoje no UOL mostra mais personagens que se movimentavam entre as duas cidades e em gabinetes de integrantes diferentes da família Bolsonaro.

Seis deles trabalharam antes de 2007 no gabinete de Jair, na Câmara dos Deputados, e anos depois foram integrar as equipes de Flávio e Carlos - o primeiro era deputado estadual e o segundo vereador no Rio. Nesse período, tiveram remuneração de R$ 1,58 milhão e retiraram ao menos R$ 1,41 milhão em dinheiro vivo.

O intenso troca-troca de funcionários entre os gabinetes da família e o estranho apego a cédulas, ainda mais em montante tão alto, abrindo mão de fazer transações pelo sistema bancário como qualquer brasileiro normal, obviamente chamaram atenção do MP. Os procuradores já investigam Flávio e Carlos.

Resta a grande curiosidade sobre o que aconteceu no gabinete de Jair Bolsonaro nos tempos em que trabalhava na Câmara dos Deputados, já que tantos funcionários investigados também passaram por lá.

Nesse momento, não há sinal de que a Procuradoria-Geral da República esteja disposta a mexer no 'Bolsolão'.

Mas quem sabe no futuro tenhamos mais informações sobre o que acontecia nessa ponte Brasília x Rio de Janeiro?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL