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Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Embaixador diz que Araújo ofendeu a China com palavras e atos

Ernesto Araújo - Agência Senado
Ernesto Araújo Imagem: Agência Senado
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

18/05/2021 19h40

O embaixador Paulo Roberto de Almeida discorda do que o ex-chanceler Ernesto Araújo disse à CPI da Covid, negando que tivesse ofendido o governo chinês, de quem o Brasil depende para fornecimento de insumos usados na produção de vacinas (além da dependência econômica). "Jamais promovi nenhum atrito com a China", disse Araújo em várias intervenções.

"Ele ofendeu a China desde o início para se mostrar um servo fiel de seus controladores", refuta Almeida, referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro e seus filhos. "Servo inclusive de Eduardo Bolsonaro, que fez um vídeo criticando a China com a bandeira de Taiwan ao fundo. Uma ofensa grave".

Para o embaixador, Araújo desrespeitou o governo chinês com palavras (como nos textos e tuítes em que chamou o coronavírus de "comunavírus") e atos (como quando pediu à China a troca do embaixador no Brasil).

Almeida lembra que isso pode ficar ainda mais claro caso se concretize a intenção da senadora Kátia Abreu (PP-TO), que na sessão de hoje da CPI disse que pediria aos integrantes da comissão a requisição do áudio completo da reunião ministerial de abril de 2020. No trecho divulgado por ordem do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, algumas falas do chanceler foram vetadas para preservar as relações diplomáticas do Brasil com a China.

"Na CPI, o ex-chanceler se eximiu de responder diretamente às questões, abordou generalidades e jogou a responsabilidade pelas decisões no Ministério da Saúde", avalia o embaixador.