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Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Votação da PEC do CNMP cria atrito entre PT e partidos aliados

Plenário da Câmara dos Deputados - Cleia Viana/Câmara dos Deputados/Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados/Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

21/10/2021 11h12Atualizada em 21/10/2021 13h09

Não foi apenas o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que sentiu o gosto da derrota na sessão de ontem, em que não houve votos suficientes para aprovação da PEC que cria novas regras para formação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) - foram 297 deputados favoráveis à proposta, que precisava de 308 para vingar. Também o PT, que, como Lira, trabalhou a favor da PEC, sofreu revés. Aliados dos petistas nas próximas eleições, como o PSOL, e integrantes do PSB, se posicionaram contra o texto, que acabou sendo derrotado.

Militantes petistas foram às redes sociais para criticar duramente a posição de psolistas e pessebistas. Em resposta a um questionamento do sociólogo Rudá Ricci feito no Twitter, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, explicou a posição do partido: "Não se faz reforma do CNMP entregando mais nomeações ao Lira e ao Centrão. Queremos participação popular".

Até mesmo o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), crítico ferrenho da Lava Jato e que em uma audiência na Câmara dirigiu-se a Sergio Moro chamando-o de "juiz ladrão", votou contra a proposta. "Fui voto vencido na bancada do PSOL e acato orientação da maioria", justificou-se.

Na véspera da votação, o deputado petista Paulo Teixeira (SP), autor da PEC, se mostrava confiante na aprovação do texto. Acreditava que as alterações feitas depois de conversar com parlamentares críticos à ideia garantiriam a maioria de votos. Não foi o que aconteceu.

A orientação do PT de aumentar o controle externo no Ministério Público tinha o objetivo de evitar excessos como os verificados durante a atuação da força-tarefa da Operação Lava Jato. Já os integrantes do PSOL e do PSB que votaram contra a proposta avaliaram que esse controle passaria às mãos do grupo mais fisiológico do Congresso, que acumularia ainda mais poder.

Entre os integrantes do PSB que votaram contra a PEC, um dos mais citados pelos petistas nas redes sociais foi Marcelo Freixo (PSB-RJ), que vai se candidatar ao governo do Rio e tem aliança negociada com o PT.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), fez uma postagem no Twitter para tentar acalmar os ânimos. "Divergências na esquerda não devem resultar em ataques que buscam deslegitimar posições ou dificultam imprescindíveis alianças futuras", escreveu. "Não podemos perder de vista o enorme desafio da eleição de 2022".