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OPINIÃO

Eleição de 2022 será mais suja que a de 2018 se autoridades não agirem já

18.set.2019 - Celulares conectados a computador fazem envio de mensagens de WhatsApp em massa com a ajuda de robôs Imagem: Reprodução
Chico Alves

Colunista do UOL

17/01/2022 14h27

Ocupados demais com as declarações e atos irresponsáveis do presidente Jair Bolsonaro, os brasileiros entram nesse ano eleitoral sem tomar as necessárias providências para garantir que a campanha seja limpa. Apesar de uma ou outra punição, nada indica que os responsáveis pela enxurrada de fake news que turbinou candidaturas quatro anos atrás mudarão seu jeito desonesto de fazer política.

As redes sociais continuam um espaço propício à divulgação de mentiras. Se os negacionistas se sentem tão à vontade para disseminar nessas plataformas desinformação sobre algo tão cristalizado quanto as vacinas, imagine o que farão com a reputação dos adversários.

Twitter, YouTube, Facebook e Instagram são muito tolerantes com os cascateiros, aplicando tímidas sanções apenas quando lhes dá na telha.

O resultado é que quem quiser achar os maiores disparates sobre vacina ou política poderá chegar facilmente a esses conteúdos tóxicos em qualquer dessas big techs. Mais que isso: muitas vezes as mentiras são sugeridas ao internauta pela própria plataforma.

E ainda pode piorar. Depois de limitar a quantidade de receptores de uma mensagem, para evitar disparos em massa (uma das grandes formas de disseminação de mentiras em 2018), o WhatsApp ameaça voltar atrás e liberar esse conteúdo para uma multidão de usuários.

O inquérito das fake news, tocado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tem muitos investigados mas até agora não responsabilizou ninguém pela saraivada de ofensas, calúnias e invencionices que tantos dissabores trouxe ao mundo político. Os operadores desse sistema criminoso podem muito bem reincidir.

Conhecido propagador de mentiras em suas redes sociais, o vereador Carlos Bolsonaro, filho 02 do presidente, continua livre, leve e solto para inventar o que quiser contra aqueles que considera inimigos.

E não é só isso.

Como mostrou a reportagem de Jamil Chade e Lucas Valença, publicada no UOL, Carluxo não abandonou uma de suas obsessões: a arapongagem. É preciso lembrar que logo no início do mandato de Jair Bolsonaro ele tentou instalar no Palácio do Planalto uma "Abin paralela". A maluquice foi abortada por colaboradores do presidente, como os ex-ministros Gustavo Bebianno (já falecido) e Carlos Alberto dos Santos Cruz. Mas o 02 e seus irmãos não desistiram da ideia.

Dessa vez, um emissário de Carluxo aproveitou uma feira aeroespacial em Dubai e procurou a empresa israelense Dark Matter, interessado em adquirir recursos de espionagem. Outra companhia da mesma natureza, a Polus Tech, também foi procurada.

Uma ferramenta desse tipo, capaz de ter acesso clandestino a celulares mesmo quando desligados, é ideal para espionar adversários. Isso serve tanto para conhecer suas estratégias quanto para tornar públicas informações que deveriam ser mantidas em sigilo. Como se sabe, campanhas políticas são época fértil para a circulação de dossiês contra os concorrentes.

É preciso que a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral tomem providências rigorosas. E que façam isso imediatamente.

Apenas dizer que "as instituições estão funcionando" é muito pouco para assustar os delinquentes eleitorais.

O mesmo mantra foi repetido em 2018 e deu no que deu. Em 2022, a campanha brasileira - que o criminoso internacional Steve Bannon disse considerar a segunda mais importante do mundo - promete ser ainda mais suja.

Dessa vez, ninguém pode dizer que foi pego de surpresa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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