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PT pede que conselho de ética apure elo entre E. Bolsonaro e conta de ódio

Eduardo Bolsonaro - Pedro Ladeira/Folhapress
Eduardo Bolsonaro Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

12/03/2020 18h05

A liderança do PT entrou com pedido para que o Conselho de Ética da Câmara analise suposto vínculo entre o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e a página de ataques virtuais Bolsofeios, revelada pelo UOL, na semana passada. O pedido foi entregue ontem à comissão, pela presidente do partido, a deputada Gleisi Hoffmann.

A reportagem do UOL mostrou que a página, com conteúdo de ódio contra supostos adversários do presidente Jair Bolsonaro, foi criada a partir de um computador localizado na Câmara dos Deputados. Ela também foi registrada a partir de um telefone e um email utilizados pelo secretário parlamentar de Eduardo Bolsonaro, Eduardo Guimarães.

No pedido, o PT afirma que o gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro funciona como "um quartel-general" para atacar parlamentares, ministros, ex-ministros e críticos do governo atual, vias redes sociais.

"A estrutura pública do gabinete está sendo usada para veicular ataques aos próprios pares, o que agrava a conduta do representado, tudo de modo a exigir uma postura mais contundente desse colegiado", diz.

Página ligada ao gabinete de Eduardo Bolsonaro faz posts ofensivos

O partido também afirma que a ação "demonstra ilegalidade e inconstitucionalidade, sustentadas com recursos públicos".

"Trata-se de uma postura altamente reprovável e incompatível com as funções e a relevância do mandato popular, de modo que essa conduta, dentre tantas outras perpetradas pelo representado, também deve ser sindicada por esse conselho, eis que altamente violadora das normas éticas que norteiam a atividade parlamentar", argumenta.

O partido também pediu que Conselho de Ética, por intermédio da presidência, solicite informações e cópias do conteúdo apurado pela CPMI da Fake News sobre o assunto.

O requerimento será apreciado no âmbito do processo que analisa a frase de Eduardo, em entrevista à jornalista Leda Nagle, sobre o AI-5 (decreto que marcou o período mais duro da ditadura militar no Brasil). Na ocasião, o deputado afirmou que, "se a esquerda brasileira "radicalizar", uma resposta poderia ser "via um novo AI-5".

Caberá ao relator do processo, o deputado Igor Timo (Pode-MG), decidir se o pedido será anexado ou não ao processo. De acordo com a secretaria do conselho, Timo pediu dez dias para analisar a questão. O pedido deverá ser autorizado pela presidência do conselho.