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Morto em março, Bebianno temia PF como inquisição política sem Moro

Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

24/04/2020 15h29Atualizada em 24/04/2020 15h37

O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, morto no mês passado, havia relatado em janeiro o seu receio sobre o ministro Sergio Moro deixar a pasta.

Em mensagem enviada à reportagem, na ocasião, ele falou que o trabalho desempenhado pelo então ministro Sérgio Moro estava sendo excepcional, mas que isso não bastava para o presidente Jair Bolsonaro.

"Trata-se de um brasileiro sério, que realmente pensa no país. Não obstante, isso não basta para o Jair, para a família Bolsonaro. Para eles, competência, comprometimento e capacidade técnica não estão em questão. Eles valorizam apenas aqueles que os obedecem cegamente, com fanatismo, ainda que sejam pessoas absolutamente incapazes, assim como grande parte do núcleo duro que os cerca", afirmou.

O ex-braço direito do presidente também afirmou que, fosse Moro, sairia do governo, manteria toda distância do clã e voltaria em 2022. Porém, disse que temia que a Polícia Federal (PF) fosse transformada em inquisição política.

"Nem o ministro Sérgio Moro, nem os demais, realmente conhecem a personalidade do Jair. Se eu fosse o Moro, sairia do governo, manteria toda distância do clã e voltaria em 2022. Temos que torcer para que, sem o Moro, a PF não seja transformada em ferramenta de inquisição política", declarou.