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"É ter muita fé na mediocridade crer em Bolsonaro em 2022", diz Alvaro Dias

Perfil de Alvaro Dias (Podemos) durante o debate UOL, Folha e SBT, promovido no estúdio da emissora em Osasco, Grande São Paulo - Eduardo Knapp/Folhapres
Perfil de Alvaro Dias (Podemos) durante o debate UOL, Folha e SBT, promovido no estúdio da emissora em Osasco, Grande São Paulo Imagem: Eduardo Knapp/Folhapres
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

28/04/2020 16h24

O líder do Podemos no Senado e ex-candidato à Presidência da República em 2018, Alvaro Dias (PR), elevou o tom das críticas em relação ao presidente Jair Bolsonaro, após a demissão do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro.

O ex-governador do Paraná disse que crer numa candidatura de Bolsonaro à presidência em 2022 "é ter muita fé na mediocridade". "Não é possível que o país aceite tamanha mediocridade repetida, liberada", declarou o senador ao UOL.

A afirmação foi feita após Dias ser questionado sobre as chances de Moro numa eventual corrida à presidência contra Jair Bolsonaro. "Mas aí você está subestimando Moro agora", defendeu.

Segundo Dias, entre os candidatos que se apresentaram, Moro sairia à frente "em razão do patrimônio que adquiriu por ter prestado serviços notáveis ao país".

"Foi ele que promoveu essa ruptura no conceito de justiça, que servia apenas para prender pobre e depois passou a prender poderosos", defendeu.

Dias também afirmou que, se Moro quiser, o Podemos abraçaria sua campanha com satisfação. Segundo ele, o ex-juiz e o partido têm em comum "a prioridade ao combate à corrupção".

"Nosso partido é chamado por alguns de partido lavajatista. Somos defensores permanentes e reiterados da Operação Lava Jato. Mas nunca fizemos isso com a natureza de o cooptar (Moro), tenho receio até de abordar essa questão. Estamos num momento tão tumultuado que falar em eleição até soa mal", ponderou.

Para o senador, convidar Moro para o partido neste momento também o prejudicaria, pois permitiria "a ilação" de que sua saída da pasta teve esta motivação.

"Não queremos reforçar essa tese porque ela realmente é uma falácia. Não foi por isso que ele deixou o governo. Mas é evidente que, um dia, lá na frente, depois de passar essa tormenta, se ele desejar, nós abrimos as portas com a maior satisfação. Aí depende dele. Acho que Moro tem credenciais", ressaltou.

Dias também elogiou a forma com que Moro deixou a pasta, com denúncias contra Bolsonaro por supostas tentativas do presidente de interferir nas investigações da Polícia Federal.

"Ele saiu mais uma vez valorizado, foi corajoso. Ele poderia sair silenciosamente e não fez. Cumpriu o dever que tem com a sua consciência e responsabilidade. As denúncias que ele contou são gravíssimas e vamos apurar. Vão desde crime de falsidade ideológica a crime de responsabilidade", disse.

O senador contou que Moro já vinha caminhando para este desfecho, administrando uma relação conflituosa com o presidente. Segundo ele, o ex-ministro fazia concessões para dar prosseguimento ao seu desejo de promover avanços éticos.

"Nós tivemos retrocessos deploráveis que o machucaram muito, como no Coaf e na aprovação da lei de abuso de autoridade. Tudo isso fez parte de um mosaico de ações que enfraqueceram o combate à corrupção. Ele resistiu o máximo, certamente não foi fácil para ele, teve a frieza necessária para suportar essas estocadas para o presidente. Mas, agora, o limite da paciência foi extrapolado com a demissão de Maurício Valeixo. Ficou insustentável a permanência do ministro", disse.