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Teich sobre ida de Bolsonaro ao STF: presidente se preocupa com as pessoas

Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

07/05/2020 14h44

O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que não sabia da ida fora da agenda de Jair Bolsonaro (sem partido), na manhã de hoje, ao STF (Supremo Tribunal Federal) com empresários para pressionar pelo afrouxamento do isolamento social, mas defendeu o presidente.

Teich disse que Bolsonaro "está preocupado com o país e com as pessoas". As declarações do ministro foram dadas durante uma reunião da Comissão Externa de Ações contra o coronavírus da Câmara dos Deputados por videoconferência, que ocorria no mesmo horário da saída de Bolsonaro.

"Não sabia da saída do presidente. O que é importante é o seguinte: eu fui designado por ele para fazer o Brasil passar por esse momento e estruturar melhor o sistema de saúde. Esse é o meu foco. Ele (Bolsonaro) está preocupado com o país e as pessoas, caso contrário ele não teria colocado isso como motivo da minha vinda", disse o ministro, em resposta ao questionamento da deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

O ministro também afirmou que "poderia garantir" que está na função para tratar das pessoas, passar por esse problema (pandemia) e ter um sistema de saúde mais eficiente.

"O nosso foco, o meu foco, como ministro da saúde, é a sociedade, são as pessoas. Tudo o que a gente faz aqui é pela sociedade sempre. Esse é o meu compromisso com vocês", declarou.

A deputada Fernanda Melchionna chegou a chamar a reunião de Bolsonaro de "visita escandalosa" e "lobby para incluir como atividades essenciais a construção civil". "Acho gravíssimo dar mais importância ao lucro dos milionários do que a vida do povo brasileiro", disse.

O trajeto de Bolsonaro foi feito a pé, ao lado de ministros e empresários. A visita ocorreu em meio a uma guerra institucional entre Executivo e Judiciário. De acordo com a assessoria de comunicação do STF, Bolsonaro compareceu a reunião marcada de última hora com o chefe da Corte, o ministro Dias Toffoli. A pauta seria o impacto da pandemia do coronavírus na economia do país.

As críticas sobre as saídas repentinas de Bolsonaro, que causavam tumultos, foram uns dos principais motivos da demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, da pasta.

Em entrevista ao Fantástico, ainda no ministério, Mandetta afirmou que a população não sabia se seguia o presidente ou o ministro sobre as orientações de afastamento social e que isso provocava uma "dubiedade".

Ele também criticou pessoas que vão a locais públicos, como padarias, e que ficam grudadas umas nas outras. Situação semelhante havia ocorrido com o presidente Jair Bolsonaro.