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Reabrir academia e salão é disparate, diz conselho de secretários da saúde

11.mai.2020 - O presidente Jair Bolsonaro usa máscara em conversa com apoiadores na portaria do Palácio da Alvorada - Reprodução/Facebook
11.mai.2020 - O presidente Jair Bolsonaro usa máscara em conversa com apoiadores na portaria do Palácio da Alvorada Imagem: Reprodução/Facebook
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

11/05/2020 22h31

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Alberto Beltrame, chamou de 'disparate' a medida tomada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de reabrir salões de beleza, barbearias e academias esportivas, nesta segunda-feira. Bolsonaro classificou tais serviços como essenciais, durante a pandemia do novo coronavírus.

Segundo Beltrame, a decisão não faz o menor sentido, no momento em que os números de óbitos e doentes só aumentam.

"Essa medida é um verdadeiro absurdo, diante de tanto sofrimento e dor que as vítimas e a população estão passando", afirmou.

Para o representante do Conass, todas as medidas anunciadas pelo presidente que ampliam os serviços essenciais dificultam o isolamento.

"No momento em que discutimos ações para o isolamento, esse tipo de medida gera dúvida na população. Colocar salões e academias como serviços essenciais é um verdadeiro absurdo. Essenciais são farmácias, supermercados", declarou.

Bolsonaro justificou a medida dizendo que "saúde é vida, academias, salão de beleza e cabeleireiro, também". "Higiene é vida. Só três [foram definidas] hoje", disse.

Já o ministro da Saúde, Nelson Teich, não sabia da decisão do presidente e foi avisado por jornalistas, durante coletiva de imprensa no Planalto, na tarde desta segunda-feira. Depois do susto, ele declarou que cabe ao Ministério da Economia avaliar quais são os serviços essenciais.

"Avaliamos o melhor fluxo que impeça as pessoas de se contaminarem e os requisitos que as exponham menos. Nossa tarefa é proteger as pessoas. Decidir sobre atividades essenciais é uma tarefa da economia", afirmou.