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Governo anunciou em 47 sites de notícias falsas em 38 dias, diz CPMI

CPMI das Fake News [Foto: Geraldo Magela/Agência Senado] Imagem: CPMI das Fake News [Foto: Geraldo Magela/Agência Senado]
Constança Rezende

Colunista do UOL

03/06/2020 02h47

Um levantamento feito pela CPMI das Fake News no Congresso concluiu que o Governo Federal exibiu 653.378 vezes anúncios em 47 canais de notícias falsas em 38 dias. Ao todo, foram identificadas 2 milhões de reproduções de anúncios do governo em canais de conteúdo inadequado, entre 6 de junho e 13 de julho de 2019.

O número representa 4,37% das 47.188.047 impressões de anúncios avaliadas, que é o resultado para contar quantas vezes um anúncio foi exibido em campanhas patrocinadas pelo governo. A análise abrange canais que mais veicularam inserções da campanha "Nova Previdência" do governo.

O documento foi produzido por consultores legislativos da Casa, com base em informações enviadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), por meio do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC).

Segundo os consultores, foi possível comprovar a existência de inserção de publicidade em sites de notícias falsas, incluindo diversos que já vêm sendo monitorados pela CPMI.

Os técnicos ponderaram que há pouco controle sobre os canais que recebem anúncios do Governo Federalos, já que o sistema da Secom identifica todos os anúncios publicados na rubrica "Google Adsense", sem a identificação dos veículos anunciantes. A ferramenta direciona a publicidade de forma automática aos sites, mas é possível ao anunciante bloquear canais específicos.

Segundo a comissão, o método põe em risco a avaliação do cumprimento dos requisitos legais necessários para que uma entidade se habilite como fornecedor de um produto ou um serviço ao Poder Público.

De acordo com o relatório, um dos campeões de veiculação, com 66.431 impressões, foi o site "Sempre Questione". O portal traz "matérias" sobre múmias alienígenas escondidas em pirâmides do Egito, colisões de átomos que abrem portais para o inferno e baleias encontradas em fazendas a centenas de quilômetros do litoral.

Os técnicos também identificaram anúncios em canais dedicados a promover a imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Nesta categoria, podemos citar o canal de youtube Bolsonaro TV e os aplicativos para celular "Brazilian Trump", "Top Bolsonaro Wallpapers" e "Presidente Jair Bolsonaro", diz o documento.

Também chamou a atenção dos consultores o fato de o canal de youtube Terça Livre TV, pertencente ao blogueiro Allan dos Santos, integrar a lista de veículos que receberam publicidade oficial, com 1.447 impressões.

Os analistas lembraram que, em oitiva realizada pela CPMI, em 5 de novembro do ano passado, Allan dos Santos afirmou que seus veículos de comunicação, incluindo o canal Terça Livre TV, "não recebem dinheiro da Secom".

A comissão avaliou que a veiculação de anúncios pela Secom em canais desse tipo pode gerar questionamento com base no § 1º do art. 37 da Constituição, "pois abre a possibilidade de se interpretar tal fato como utilização da publicidade oficial para promoção pessoal, conduta vedada pela Carta Magna".

Além desses sites, a CPMI também mapeou canais de anúncio do Governo Federal que compartilham conteúdo sexual, que desrespeitam os direitos de autor ou de transmissão, que divulgam ofertas ilegais de investimento ou que pertencem a titulares de cargos eletivos.

Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que as verbas publicitárias são direcionadas pelo Google Adsense, que utiliza inteligência artificial e critérios próprios para distribuição de anúncios. "Ou seja, cabe à plataforma as explicações pertinentes sobre a ocorrência. Os veículos que constam na lista citada pela matéria foram selecionados pelo desempenho aferido pelo algoritmo do Google, e não pela Secom".
A Secom também informou que o processo de escolha de veículos conduzido pelas agências de publicidade prestadoras de serviço, contam diretamente com a assessoria técnica do Google para apoiar os critérios da ferramenta.
Já o Goolge respondeu que tem ajudado parceiros do setor privado e do setor público a usar a publicidade digital para levar suas mensagens a milhões de brasileiros de modo eficiente, com escala e alcance. Também afirmou que tem políticas contra conteúdo enganoso em suas plataformas e que trabalha para destacar conteúdo de fontes confiáveis.
"Agimos rapidamente quando identificamos ou recebemos denúncia de que um site ou vídeo viola nossas políticas. Entendemos que os anunciantes podem não desejar seus anúncios atrelados a determinados conteúdos, mesmo quando eles não violam nossas políticas, e nossas plataformas oferecem controles robustos que permitem o bloqueio de categorias de assuntos e sites específicos, além de gerarem relatórios em tempo real sobre onde os anúncios foram exibidos", afirmou.
O Google acrescentou que também trabalha no aperfeiçoamento de suas plataformas para oferecer os melhores resultados possíveis para seus parceiros. "Preservar a confiança no ambiente de publicidade digital é uma prioridade. Agimos diariamente para minimizar conteúdos que violam nossas políticas e impedir a ação de pessoas mal-intencionadas em nossa rede", disse.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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