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Diogo Schelp

Mortes no trânsito em SP voltam a crescer com flexibilização

Acidente na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo - Reprodução/TV Globo
Acidente na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo Imagem: Reprodução/TV Globo
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

24/10/2020 04h00

Depois de um período de forte queda nos meses de maior adesão da população às medidas de isolamento social, as mortes no trânsito no estado de São Paulo voltaram a crescer. Com isso, registrou-se em setembro o recorde do ano em óbitos decorrentes de acidentes, com um total de 461 mortes — 24% a mais do que em junho, mês que teve o menor número de fatalidades no trânsito em 2020.

Os dados são do Infosiga, sistema gerido pela Secretaria de Governo do estado, e indicam que, no acumulado do ano até setembro, em comparação ao mesmo período do ano passado, a redução de mortes foi de 9,5%. No entanto, desde julho, as mortes no trânsito vêm aumentando mês a mês. Em setembro, o número foi apenas 1,9% menor do que no mesmo mês de 2019.

Os meses com índices mais altos de isolamento social, quando as pessoas procuraram ficar o máximo de tempo possível em casa e evitaram viajar, foram também os que registraram as quedas mais abruptas no total de mortes de trânsito no estado. Em abril deste ano, a redução foi de 15% em relação ao mesmo mês de 2019. Em maio, a queda foi de 20%, em junho, de 30%, e, em julho, de 15%. Em agosto a redução foi bem mais modesta, de cerca de 7%, em comparação com o mesmo mês do ano passado.

"A relação entre a redução nas mortes de trânsito e a pandemia pode ser confirmada pelos dados do fluxo de veículos leves e pesados nas rodovias de São Paulo", diz Jorge Tiago Bastos, chefe do departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo levantamento da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), o fluxo nas estradas caiu 47,9% em abril deste ano em comparação com o mesmo mês de 2019. Em maio, a diminuição foi de 36,8%, em junho, 22,3%, e, em julho, 20,4%.

O retorno gradual do tráfego nas estradas, verificado nos dados de agosto e setembro (respectivamente 11,7% e 8,2% menores do que nos mesmos meses do ano passado), sugere que o impacto positivo da pandemia nos índices de acidentes com mortes tende a desaparecer nos próximos meses.

Nos três primeiros meses de 2020, a tendência era de alta: o número de mortes no trânsito no trimestre foi 3,4% maior do que no mesmo período de 2019. Vale lembrar que as restrições sociais para conter a pandemia começaram a ser aplicadas em meados de março.

Em nota para a coluna, via assessoria de comunicação do Detran-SP, o governo de São Paulo reforçou que "o número de acidentes e fatalidades de trânsito permanece em queda", com redução, em setembro, de 1,9% no número de mortes em comparação com o mesmo mês do ano passado e diminuição de 9,5% no acumulado do ano. "As estatísticas de acidentes sem vítimas fatais também estão em queda. Em setembro, houve redução de 4,9%, enquanto no ano a redução é de 14,3%. O Governo de São Paulo segue atuando com campanhas de educação e operações de fiscalização em vias urbanas e rodovias. O resultado deste trabalho é a redução constante dos índices desde 2015", conclui a nota.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL