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Diogo Schelp

Em ação orquestrada, 'pegadinha' de Russomanno deixou Boulos atônito

Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

11/11/2020 15h37

Durante o debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo promovido pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira (11), Celso Russomanno (Republicanos) acusou Guilherme Boulos (Psol) de valer-se, em sua campanha, de empresas fantasmas com o uso de dinheiro público.

Na primeira vez em que o assunto foi levantado, Boulos ficou atônito e não conseguiu dar uma resposta concreta à acusação. Acabou saindo pela tangente e passando a impressão de que tinha algo a esconder.

Depois, com mais tempo para raciocinar sobre o que havia dito Russomanno, conseguiu recompor-se e classificou a alegação de empresas fantasmas como uma "pegadinha" do adversário.

"Celso, eu desconheço essa reportagem, é do seu site? Do seu programa? Precisa dizer de onde tira as coisas. Você colocou nas redes sociais e veio fazer pegadinha em debate?", questionou Boulos.

De fato, tudo indica que a história das "empresas fantasmas" — para as quais, segundo Russomanno, a campanha de Boulos teria pago mais de meio milhão de reais — foi uma ação coordenada entre o candidato do Republicanos e um notório disseminador de fake news, o bolsonarista Oswaldo Eustáquio, que chegou a ser preso pela Polícia Federal (PF) em junho no âmbito de investigações sobre atos contra a democracia.

Afinal, a denúncia das supostas empresas fantasmas foi publicada por Eustáquio em seu canal com 360 mil seguidores no YouTube enquanto o debate UOL/Folha ainda estava sendo transmitido ao vivo.

Essa estratégia tirou de Boulos qualquer possibilidade de se defender de maneira mais concreta. O psolista claramente não se havia preparado anteriormente sobre o assunto, o que é justificável se ficar comprovado que a acusação feita por Russomanno não passa de uma completa fabricação.

Para quem não acompanha notícias e checagens de fatos feitas por veículos de comunicação sérios, a pegadinha colou. Boulos realmente foi pego de surpresa.

Russomanno pode ter protagonizado o primeiro caso de uma notícia fraudulenta que foi criada e disseminada exclusivamente para constranger e encurralar um adversário político em um debate eleitoral.

Brunos Covas (PSDB) e Boulos tinham razão ao afirmar que Russomanno, em queda nas pesquisas, está desesperado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL