PUBLICIDADE
Topo

Diogo Schelp

Bolsonaro vai comemorar o ocaso de Crivella como fez com Witzel?

Marcelo Crivella (Republicanos) e o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) dançando durante evento em comemoração ao 40º aniversário da Igreja Internacional da Graça de Deus - Reprodução/ Youtube
Marcelo Crivella (Republicanos) e o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) dançando durante evento em comemoração ao 40º aniversário da Igreja Internacional da Graça de Deus Imagem: Reprodução/ Youtube
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

22/12/2020 08h25

"O Rio está pegando hoje, hein?", disse o presidente Jair Bolsonaro a apoiadores na saída do Palácio do Alvorada no dia 28 de agosto. Ele se referia ao afastamento do cargo do governador Wilson Witzel, por causa de suspeita de fraudes em compras emergenciais para o combate à pandemia.

Dois dias antes, Bolsonaro havia elogiado a Polícia Federal por investigar o esquema de corrupção no estado. Ele usou o ocaso de Witzel, seu desafeto político, para vender a ideia de que seu governo era implacável com os corruptos.

Hoje, terça-feira (22), o Rio "está pegando" de novo. Desta vez, a suspeita de corrupção atinge o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), a nove dias de entregar o cargo a Eduardo Paes (DEM), que o derrotou nas eleições municipais deste ano.

Mas Crivella é aliado de Bolsonaro. O presidente fez até campanha para ele. Em vídeo gravado para a propaganda eleitoral de Crivella, o presidente disse que ambos sofrem "do mesmo mal", ou seja, vivem sob ataque de uma "grande emissora de televisão". E que, "se Deus quiser", Crivella seria prefeito por mais quatro anos.

Quando Witzel caiu, a família Bolsonaro comemorou por achar que isso ampliaria o domínio político do clã no Rio de Janeiro, a começar pelas eleições municipais deste ano. Não foi bem assim. Crivella foi derrotado e Carlos Bolsonaro, filho do presidente, reelegeu-se vereador com menos votos do que na eleição anterior.

Agora, com a prisão de Crivella no âmbito de uma operação que apura um esquema de propina para a liberação de contratos e pagamento de dívidas a empresas pela prefeitura, o que fará Bolsonaro? Vai comemorar os avanços no combate à corrupção? Ou isso só vale para os desafetos políticos?