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Diogo Schelp

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Restrições sociais reduziram contágio em até 77%, diz estudo na Science

No estudo publicado na Science, fechamento de serviços como bares e restaurantes reduziu em 18% as taxas de contágio, em média - Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo
No estudo publicado na Science, fechamento de serviços como bares e restaurantes reduziu em 18% as taxas de contágio, em média Imagem: Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

25/02/2021 13h54

A combinação das medidas de isolamento social mais comuns adotadas por 41 países no início da pandemia reduziram em 77% as taxas de transmissão do novo coronavírus, conclui artigo publicado na mais recente edição da revista Science, uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo.

A contribuição mais relevante do estudo, encabeçado por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, é identificar o impacto de cada medida, quando adotadas individualmente. Limitar as aglomerações a no máximo dez pessoas, por exemplo, foi uma política de isolamento social mais efetiva do que fechar bares e restaurantes ou mesmo atividades não essenciais em geral.

O estudo foi elaborado com base na experiência de 41 países desenvolvidos e em desenvolvimento entre 22 de janeiro e 30 de maio de 2020. Foram cruzados os dados das políticas públicas de contenção da pandemia e os índices de mortes e casos confirmados por covid-19. Os dados do Brasil não foram analisados.

Limitar encontros presenciais a no máximo dez pessoas reduziu a taxa de transmissão do vírus em 42%, em média. Países que liberaram aglomerações maiores obtiveram um impacto menor no contágio: a proibição de encontros com mais de 100 pessoas reduziu a taxa de transmissão do coronavírus em 34%, enquanto o limite de 1000 pessoas resultou numa diminuição de 23%.

O fechamento de escolas e universidades levou a uma redução média de 38% nas taxas de transmissão do novo coronavírus.

A medida isolada com menor impacto no início da pandemia, segundo o estudo, foi o fechamento de algumas atividades pontuais de alto risco (pelo intenso contato social), como bares e restaurantes. Esse tipo de restrição resultou numa redução de 18% na taxa de transmissão, em média.

A proibição do funcionamento de comércios e serviços não essenciais como um todo, não se limitando a bares e restaurantes, porém, levou a uma redução média de 27% nas taxas de transmissão.

Ordens para que as pessoas permaneçam em casa (como toque de recolher ou lockdown), quando adotadas em conjunto com as outras formas de restrição, propiciaram uma redução adicional de 13% nas taxas de contágio.

O estudo não deixa dúvidas quanto à eficácia das medidas de isolamento social para conter a circulação do novo coronavírus, mas os autores alertam que os resultados dizem respeito a uma fase específica da pandemia (o início da primeira onda) e que as conclusões podem ser diferentes conforme as circunstâncias mudam. Eles também ressaltam que não analisaram o que aconteceu quando essas medidas foram relaxadas.