PUBLICIDADE
Topo

Diogo Schelp

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Cedo demais, uso obrigatório de máscaras começa a cair nos EUA

Homem usa máscara com as cores da bandeira dos Estados Unidos (EUA) durante pandemia do coronavírus - Alexi Rosenfeld/Getty Images
Homem usa máscara com as cores da bandeira dos Estados Unidos (EUA) durante pandemia do coronavírus Imagem: Alexi Rosenfeld/Getty Images
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

04/03/2021 14h12

O presidente americano Joe Biden bem que tentou estabelecer um consenso com os governadores dos estados para que não relaxassem demais as medidas sanitárias para conter as taxas de contaminação pelo novo coronavírus, enquanto a maior parte da população não tiver sido vacinada contra a covid-19. Mas não está conseguindo.

Os governadores do Texas e do Mississipi, ambos do Partido Republicano, de oposição ao presidente, eliminaram esta semana a obrigatoriedade do uso de máscaras. O Alabama pode se juntar à lista ainda esta semana. Outros sete estados, seis deles governados por republicanos, precisarão decidir até o fim do mês se renovam as leis que obrigam os cidadãos a usar máscaras em público.

Outras medidas de flexibilização também estão sendo adotadas. No estado do Massachusetts, as regras para reduzir a lotação máxima dos restaurantes foram eliminadas.

O principal argumento para o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras é que, depois de um janeiro difícil, o número de novos casos de covid-19 no país vem caindo e a vacinação avança em bom ritmo. Diante disso, estaria mais do que na hora de "devolver a liberdade" à população, nas palavras de Gregory Abbott, governador do Texas.

A realidade, porém, é que a tendência de queda ainda é frágil. As estatísticas de novos casos de covid-19 nos Estados Unidos começaram a cair há menos de uma semana. No Texas, por exemplo, só se verificou uma redução no número de novos casos diários nos últimos dias. Na semana passada, a média de novos casos foi 6% maior do que na semana anterior.

Quanto à vacinação, por enquanto atingiu apenas 24% dos americanos — melhor do que a maioria dos países, mas ainda insuficiente. Seria preciso esperar pelo menos até maio, quando Biden afirma que conseguirá ter todos os adultos do país vacinados, para poder considerar que o pior da pandemia no país já passou.

Do ponto de vista legal, não há muito que Biden possa fazer para impedir os governadores de relaxar as medidas contra a covid-19, inclusive em relação ao uso de máscaras. Os estados têm autonomia para definir essas políticas sanitárias.

Ao contrário do seu antecessor, Donald Trump, que tentou punir os governadores que adotaram medidas de isolamento social, Biden procura uma abordagem de convencimento. Como se vê, sem muito sucesso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL