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Diogo Schelp

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com R$ 0,5 bi, pode-se reduzir em 50% mortes em rodovias BR, diz estudo

Acidente na BR 040, em região próxima a Congonhas (MG) - Divulgação/CBMMG
Acidente na BR 040, em região próxima a Congonhas (MG) Imagem: Divulgação/CBMMG
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

11/03/2021 14h35

Com um investimento de 500 milhões de reais para melhorar as condições de segurança nos trechos de maior número de acidentes em rodovias federais, seria possível reduzir em 50% as mortes e em 30% os feridos nas rodovias federais em todo o Brasil, conclui estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária, uma instituição sem fins lucrativos dedicada a desenvolver ações para reduzir o total de vítimas no trânsito.

Em números absolutos, essas melhorias de baixo custo salvariam a vida de 10 mil pessoas e evitaria que outras 80 mil ficassem feridas em acidentes na malha viária federal no período de três anos.

São duas as medidas de baixo custo propostas pelo estudo, ambas fáceis de implantar e extremamente eficazes.

A primeira é a instalação de cilindros delimitadores no meio das pistas de mão dupla em trechos em que a ultrapassagem é proibida. Isso evita as colisões frontais e tem potencial para reduzir em 90% os acidentes.

A segunda consiste em reforçar o limite entre a pista e o acostamento por meio de sonorizadores longitudinais, pequenas depressões contínuas no asfalta que provocam um barulho quando em contato com os pneus. Isso evita distrações dos condutores e, portanto, que os veículos saiam da pista. A redução de acidentes é de 68%.

Cilindro delimitador - ONSV/Divulgação - ONSV/Divulgação
Cilindro delimitador
Imagem: ONSV/Divulgação

Sonorizador longitudinal - ONSV/Divulgação - ONSV/Divulgação
Imagem: ONSV/Divulgação

O investimento para implantar as medidas em todos os trechos de maior risco das rodovias federais representaria o equivalente a cerca de 5%, apenas, do orçamento anual do Ministério da Infraestrutura.

As soluções de baixo custo compõem a primeira de doze metas estabelecidas pelo estudo para atingir o objetivo de reduzir em 50% os acidentes de trânsito no Brasil na década de 2021 a 2030.

Representantes de orgãos federais e estaduais contribuiram na formulação das metas. O trabalho é apoiado pela Secretaria Nacional de Transportes Terrestres, em alinhamento ao Plano Setorial de Transportes Terrestres, do Ministério da Infraestrutura.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, os tipos de acidente que mais causaram mortes em 2020 na malha federal foram colisão frontal (1683 mortos), atropelamento de pedestre (853), saída de pista (677), colisão traseira (570) e colisão transversal (401).

O estudo, que ganhou o título "Rodovias que perdoam - Brasil", levou dois anos para ser elaborado sob coordenação de Tiago Bastos, especialista da Universidade Federal do Paraná, e foi apresentado em seminário online nesta quarta-feira (10).