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Felipe Moura Brasil

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Valério é trunfo e risco para família Bolsonaro

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Felipe Moura Brasil

Felipe Moura Brasil é âncora da BandNews FM e colunista do UOL. Vencedor do Prêmio Comunique-se na categoria Jornalista Influenciador Digital. Maior influenciador político do Brasil no Twitter, de acordo com estudo da empresa de big data Stilingue. Trabalhou nas revistas Veja e Crusoé, no site O Antagonista e na rádio Jovem Pan, onde também foi diretor de Jornalismo. Reúne suas várias frentes de trabalho em www.felipemourabrasil.com.

Colunista do UOL

07/07/2022 11h00

Na Live UOL de quarta-feira (6), comentei a iniciativa de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para que Marcos Valério dê explicações na Câmara dos Deputados sobre sua delação premiada, firmada com a Polícia Federal e homologada pelo STF.

Valério será ouvido na quinta-feira da próxima semana, 14 de julho, na Comissão de Segurança Pública da Câmara, que havia aprovado na terça o pedido do deputado federal.

Eduardo aproveitou sua participação na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, na quarta, para chamar atenção para a delação, como "um assunto que interessa à defesa nacional". "Para quem não se lembra", Valério foi "o operador do mensalão, esquema arquitetado pelo PT para pagar deputados e assim votarem tudo com o governo Lula", disse o filho 03 do presidente que institucionalizou, por meio do bilionário orçamento secreto, a compra de apoio parlamentar.

Ele também omitiu que Valério entregava malas de dinheiro sujo a Valdemar da Costa Neto, dono do PL, partido de Jair Bolsonaro. O presidente migrou para a sigla mesmo ciente do envolvimento de Valdemar, que foi condenado como mensaleiro e passou 11 meses na prisão, até ser beneficiado junto com o petista José Dirceu, entre outros, por um indulto de Natal coletivo, concedido por Dilma Rousseff. Há até uma foto dos dois saindo da cadeia, um atrás do outro.

O objetivo bolsonarista, porém, tem sido explorar a alegada associação de petistas com o crime organizado, incluindo o tráfico de drogas.

Segunda a Veja, que revelou o conteúdo da delação do operador, Valério "afirmou que ouviu do então secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, que o partido tinha ligações com a facção criminosa PCC. Ele também disse que a legenda administrava um caixa secreto de 100 milhões de reais. Valério contou que, em 2005, foi procurado para utilizar parte dos recursos clandestinos para entregar 6 milhões de reais ao empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André, que chantageava o então presidente Lula, ameaçando contar detalhes sobre as ligações dos petistas com o PCC e com o assassinato do prefeito Celso Daniel."

A Lava Jato acabou descobrindo que metade dos R$ 12 milhões de um empréstimo ilegal solicitado pelo pecuarista José Carlos Bumlai ao banco Schahin, a pedido do PT, foi usada para pagar Ronan. O problema é que o bolsonarismo ajudou o petismo a torpedear a força-tarefa, encerrada no governo Bolsonaro, bem como outras ferramentas de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro, já que precisava blindar a família do presidente contra as acusações de desvios em gabinetes, feitas pelo Ministério Público do Rio, e de interferência na Polícia Federal, feita pelo ex-juiz Sergio Moro.

O vereador Senival Moura, líder do PT na Câmara de Vereadores de São Paulo, foi um dos alvos de uma operação da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. João Muniz Leite, contador de confiança da família de Lula, foi acusado pelo Departamento de Investigações de Narcóticos (Denarc) de SP de lavar dinheiro para a mesma facção criminosa. Muniz também foi atingido pela Lava Jato.

Como bolsonarismo e petismo tentam não apenas se blindar, mas também se limpar um na sujeira do outro em matéria de roubalheira, a ligação com facções do crime organizado virou critério de desempate na disputa pelo posto de menos sujo.

Mesmo nesse quesito, porém, o duelo de acusações promete, já que o miliciano Adriano da Nóbrega, camarada de Fabrício Queiroz, foi homenageado pelos Bolsonaro e ainda tinha familiares registradas no gabinete de Flávio, apontadas como funcionárias fantasmas.

De um lado, a facção do tráfico. Do outro, a da milícia.

A isso foi reduzido o Brasil.

Na edição da Live UOL, falamos também sobre a 'delicadeza' do presidente Bolsonaro, que apertou o braço da nova presidente da Caixa, Daniella Marques, para que ela não assinasse o termo de posse com a caneta do banco, mas com uma Bic; e sobre os números da pesquisa da Quaest Consultoria, que mostra Lula com 45% das intenções de voto, à frente de Bolsonaro, com 31%.

Com Madeleine Lacsko, debato os principais assuntos do país diariamente, das 17h às 18h, com transmissão ao vivo nos perfis do UOL no YouTube, no Facebook e no Twitter.