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Jamil Chade


Em nova fase da Lava Jato, Suíça indicia primeiro intermediário financeiro

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

22/10/2019 06h19

Medida faz parte de ofensiva contra bancos e agentes financeiros na Suíça que tenham colaborado com a corrupção no Brasil. No total, mais de 20 bancos foram examinados e 60 inquéritos continuam pendentes em Berna.

Pela primeira vez depois de mais de quatro anos de investigações, a Suíça indicia o primeiro suspeito no caso da Operação Lava Jato. Nesta terça-feira, o Ministério Público em Berna anunciou a decisão, apontando que o alvo é um suíço-brasileiro, indiciado por seu papel como intermediário financeiro e acusado de lavagem de dinheiro agravada e cumplicidade em subornos de funcionários públicos estrangeiros.

O nome do suspeito não foi revelado pelas autoridades e os procuradores apenas indicaram que houve uma intensa cooperação com Brasil e Portugal. Mas os suíços apontam que o processo de investigação começou em outubro de 2015. Naquele momento, um dos vários processos iniciado se dirigiu contra o suíço-brasileiro Bernardo Freiburghaus, suspeito de ser um agente entre a Odebrecht, ex-diretores da Petrobras e bancos suíços. Outros também foram alvos de abertura de inquéritos.

O caso agora será examinado pelo Tribunal Penal Federal. Mas representa um passo inédito tomado pelos suíços. Berna, desde o ano passado, começou o que chama de 3ª Fase da Lava Jato, focada em investigar os intermediários financeiros e bancos que teriam auxiliado empresas e políticos a cometer crimes.

A ofensiva sobre seu próprio sistema financeiro é raro, num país que tradicionalmente proteger seus bancos diante de acusações internacionais. Agora, fora da lista de Paraísos Fiscais, a Suíça quer mostrar que também luta contra a corrupção.

Se numa primeira fase o foco foi investigar aqueles que recebiam propinas, a segunda fase se dedicou a apurar as empresas que pagaram os subornos. Mas com mais de 20 bancos examinados na Suíça por seu papel na Lava Jato, mais de mil contas bloqueadas e mais de US$ 1 bilhão congelados, os suíços também passaram a avaliar o papel de seu próprio sistema financeiro e admitir o papel desempenhado por gerentes e banqueiros.

A ofensiva no setor financeiro ocorre no mesmo momento em que, em Curitiba, a Lava Jato também amplia suas investigações sobre o papel dos bancos nas operações conduzidas por suspeitos de corrupção.

Em Berna, as autoridades de controle do sistema financeiro, de fato, já puniram com multas ou advertências a quatro bancos locais, por sua atuação na Lava Jato: Credit Suisse, BSI, PKB e o Banque Heritage. Na última decisão, de 2018, a Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro (FINMA) concluiu que o banco Credit Suisse falhou no combate à lavagem de dinheiro em casos de corrupção envolvendo a Petrobras.

Nenhuma prisão, porém, foi estabelecida. Agora, o MP deixa claro que o processo não acabou. No total, mais de 60 inquéritos continuam sendo avaliados por Berna.

Até agora, os suíços indicam que já congelaram mais de 620 milhões de francos suíços. Mais de 390 milhões já retornaram ao Brasil. Ao longo dos anos, mais de 15 processos criminais iniciados pelos suíços foram ainda transferidos para a Lava Jato, no Brasil.

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