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Jamil Chade


Lava Jato pode acabar como Satiagraha, diz Protógenes sobre anular operação

O juiz Marcelo Bretas e o ex-delegado Protógenes Queiroz em evento na Suíça - Jamil Chade/UOL
O juiz Marcelo Bretas e o ex-delegado Protógenes Queiroz em evento na Suíça Imagem: Jamil Chade/UOL
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Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

01/11/2019 04h00

O ex-deputado e ex-delegado Protógenes Queiroz traça um paralelo entre a punição que ele recebeu na Operação Satiagraha e os ataques realizados contra a Operação Lava Jato.

Nesta quinta-feira, falando em um evento na sede da ONU em Genebra ao lado do juiz Marcelo Bretas, o ex-delegado traçou um paralelo entre seu caso e o que poder ocorrer agora com a Lava Jato.

Em 2014, o Supremo Tribunal Federal cassou os direitos políticos de Protógenes e a função de delegado por quebra de sigilo funcional. Ele foi acusado de vazamento ilegal de informações. Em 2015, o governo demitiu o então delegado por "transgressões disciplinares" e, um ano depois, o brasileiro pediu asilo na Suíça.

"Bem vindo ao clube", disse Protógenes a Bretas. "Vocês poderiam me perguntar: o que você fez? Matou o presidente? A condenação é por quebra de sigilo funcional", disse, lembrando que ele bloqueou US$ 3 bilhões nas Ilhas Cayman e que a operação foi anulada.

"Todas essas coisas que aconteceram comigo agora ocorrem com a Lava Jato", disse. "Hoje, temos a possibilidade de anular toda a Lava Jato. O que ocorreu? Violação de sigilo. É uma enorme mentira", criticou.

Bretas, ao discursar, confirmou que a Lava Jato está "sofrendo muitos questionamentos". "Os métodos estão sendo criticados. O que ocorre é que estamos num duelo. O Jurídico, de um lado, e político do outro", disse.

"A partir de interceptação telefônica ilegal, todo o trabalho da Lava Jato durante anos agora está sendo questionado", afirmou o juiz. "Mas o ataque é político. Não são argumentos jurídicos", insistiu.

Segundo ele, o que tem mantido o trabalho da Lava Jato é o apoio da sociedade. "O interesse da população em conhecer o trabalho da Justiça impede que forças ocultas façam parar o trabalho de uma hora para outra", explicou.

Segundo ele, o Brasil avançou no combate à corrupção nos Poderes Legislativo e Executivo. Mas ainda precisa progredir no combate à corrupção no Judiciário. Bretas contou à plateia que um ex-governador do Rio, em depoimento, apontou para o envolvimento também de juízes e procuradores em esquemas. "O Brasil ainda está devendo uma resposta sobre essas acusações", disse.

Bretas também atacou a influência política no Judiciário e concluiu em um tom de preocupação. "Não tem sido fácil trabalhar. Mas continuamos acreditando em dias maiores", completou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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