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Jamil Chade


"Democracias estão sendo pervertidas", alerta Wim Wenders

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

03/11/2019 12h00

O cineasta, dramaturgo e produtor de cinema alemão, Wim Wenders, diz que o documentário "Democracia em Vertigem" é um alerta a todo o mundo. Wenders participou na noite de quinta-feira da apresentação do filme de Petra Costa em Londres.

A produção da Netflix tem sido indicada para diversos prêmios internacionais, listada como uma das melhores produções do ano pelo New York Times e cotada ainda para o Oscar. Nas últimas semanas, a brasileira esteve em eventos em Los Angeles, Nova Iorque, Washington, San Francisco e Buenos Aires.

Em seu documentário, Petra Costa retrata o momento do impeachment de Dilma Rousseff e o racha na sociedade brasileira.

"Isso se refere a vocês", disse o Wim Wenders, diante da plateia em Londres. "Não é apenas sobre o Brasil. Ele trata de nós. De coisas que estão ocorrendo neste momento no planeta. Nos EUA e na Europa. No berço das democracias. Ele trata do fato de que as democracias estão sendo pervertidas e desviadas", alertou.

Wenders explicou que decidiu apresentar o filme de Petra Costa "por meus amigos brasileiros e pelo Brasil". "Esse é um país que amo, muito muito", disse.

O alemão contou que, em sua infância, ele estava fascinado com a história da construção da capital, Brasília. "Meu quarto inteiro estava repleto de fotos, mapas. Eu achava que aquilo era a maior aventura da humanidade. O Brasil, portanto, sempre esteve na minha mente e, quando eu me tornei cineasta, Glauber Rocha foi uma inspiração", disse, citando ainda Nelson Pereira dos Santos e Hector Babenco.

"E na linha desses grandes cineastas, agora temos Petra Costa", afirmou. Segundo ele, o filme da brasileira "Elena" o impactou pela voz e narração cuja força se repete em Democracia em Vertigem.

Para Wenders, essa nova produção "é uma das coisas mais poderosas que vi ultimamente".

(Com a colaboração de Patrícia Gomes, em Londres)

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