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Jamil Chade


Mais da metade das mulheres no mundo não tem acesso à Internet

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

05/11/2019 08h00


Não. O mundo não é plano. 30 anos depois da criação da web e mesmo diante da explosão do uso da Internet no mundo, mais da metade das mulheres no mundo continuam sem acesso à tecnologia.

Dados divulgados nesta terça-feira pela União Internacional de Telecomunicações revelam que 52% das mulheres no planeta continuam fora da revolução digital. No mundo, 42% dos homens não tem acesso à Internet.

Susan Teltescher, chefe do departamento de estatística da agência internacional, aponta que a explicação para essa diferença está na situação social das mulheres, principalmente nos países mais pobres.

Segundo ela, os obstáculos ao acesso estão ligados à falta de educação, a uma receita mais baixa e a falta da presença dessas mulheres no mercado formal de trabalho.

Os dados revelam que a expansão da Internet é real. Hoje, 4,1 bilhões de pessoas no mundo têm acesso à rede. Há dez anos, o número de internautas era de apenas 2 bilhões de pessoas. Mas o planeta continua deixando 3,6 bilhões de fora da revolução digital, num processo que pode se perpetuar.

Nos países ricos, 87% da população estão conectados. Nos países mais pobres, a taxa é de apenas 19%, o equivalente às taxas na Europa que existiam no século passado.

"A disparidade entre homens e mulheres na Internet pode ter enormes consequências", alertou Susan. "Elas estão excluídas de um mundo digital cada vez mais presente, cortadas de informações e serviços públicos", disse. Segundo ela, um número substancial dessas mulheres está ainda na zona rural.

Nas Américas, os dados revelam uma taxa praticamente igual entre homens e mulheres com acesso à Internet, com 77% e 76% de penetração, respectivamente. Na Europa, as taxas são de 87% para homens e 86% para mulheres.

Mas, nos países mais pobres, a realidade é radicalmente diferente. Se um a cada quatro homens tem acesso à rede, essa taxa é de apenas uma para cada dez mulheres.

Jamil Chade