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Jamil Chade


Bolsonaro pode voltar ao Fórum de Davos

22.jan.2019 - Presidente Jair Boslonaro discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça - ARND WIEGMANN/REUTERS
22.jan.2019 - Presidente Jair Boslonaro discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça Imagem: ARND WIEGMANN/REUTERS
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/11/2019 04h00

O presidente Jair Bolsonaro pode voltar a ser um dos participantes do Fórum Econômico Mundial, que ocorre no final de janeiro de 2020 na estação de esqui de Davos.

A coluna apurou que, tanto os organizadores como o governo, trabalham com essa perspectiva e Bolsonaro usaria a ocasião para fazer um balanço de suas reformas, acordos comerciais e medidas liberalizantes. A viagem, porém, ainda não está confirmada.

Em janeiro de 2019, Bolsonaro "estreou" no cenário internacional ao desembarcar em Davos com uma equipe de peso. O presidente havia assumido o governo semanas antes da viagem e usou o evento para explicar à elite do capitalismo internacional seu plano. Além do chanceler Ernesto Araújo, ele foi acompanhado pelos ministros Paulo Guedes e Sérgio Moro.

Mas Bolsonaro, em Davos, frustrou quem esperava do brasileiro uma participação eloquente. Em seu primeiro evento, ele recebeu um espaço de honra para um debate que poderia ter uma duração de 45 minutos diante de empresários de todo o mundo. Mas seu discurso foi o mais curto na história de todos os presidentes brasileiros em Davos: pouco mais de seis minutos.

Ele ainda deixou a imprensa estrangeira irritada ao cancelar, de última hora, uma coleava de imprensa. Bolsonaro também manteve reuniões bilaterais. Mas poucas com líderes de grandes economias.

Nos bastidores, porém, a história foi diferente. Os empresários estrangeiros ouviram o que queriam em reuniões comandadas por Guedes, que prometeu uma agenda de reformas e a abertura da economia brasileira.

Mas se a visita de Bolsonaro for confirmada à "Montanha Mágica" para 2020, o clima será bem diferente daquele que ele encontrou no começo de seu mandato. Davos colocava o Chile como modelo a ser seguido, enquanto a gestão de Maurício Macri na Argentina era a aposta dos investidores.

Durante o evento de 2019, Juan Guaidó ainda se proclamou presidente interino da Venezuela, o que foi imediatamente apoiado por Bolsonaro e outros líderes latino-americanos em Davos.

Desta vez, porém, a situação da América Latina é das mais tensas. No Chile, o modelo mostrou seus limites, Macri perdeu as eleições e o gesto de Guaidó não derrubou Nicolas Maduro.

Para completar, a região registrou nos últimos meses intensa turbulência. No anúncio do programa de 2020, o fundador do Fórum, Klaus Schwab, foi claro: "as pessoas estão se revoltando contra as elites econômicas que eles acreditam que os traíram".

Para 2020, o tema do evento estará concentrado em como diferentes atores podem, juntos, trabalhar por um mundo "coeso e sustentável". Entre os pontos tratados estará o Acordo de Paris sobre o Clima. "Nossos esforços para limitar o aquecimento global a 1.5°C estão sendo perigosamente insuficientes", disse Schwab.

Jamil Chade