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Jamil Chade


Por corrupção, suíços multam Andrade Gutierrez e doleiro de Sérgio Cabral

Michael Lauber, procurador-geral da Suíça - Reprodução
Michael Lauber, procurador-geral da Suíça Imagem: Reprodução
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

09/01/2020 05h38

Os desdobramentos da Operação Lava Jato continuam na Suíça. Berna decidiu multar a empresa Andrade Gutierrez no valor de 2 milhões de francos suíços, além de exigir uma indenização de 17 milhões.

O Ministério Público da Suíça entendeu que a empresa não tomou "todas as medidas organizacionais necessárias e razoáveis" para impedir o pagamento de subornos a executivos da Petrobras através de contas na Suíça.

A notícia foi revelada pela publicação jurídica Gotham City. À coluna, Berna também confirmou a punição. "O Ministério Público da Confederação reconheceu culpada Andrade Gutierrez Engenharia SA de corrupção ativa de agentes públicos estrangeiros", disse a procuradoria.

Endividada, a empresa apenas começará a pagar sua multa em 2024. O caso eclodiu em 2015, quando foi descoberto o envolvimento do então presidente Otavio Azevedo no esquema de corrupção.

Na Suíça, uma investigação foi aberta no final daquele ano, depois que bancos indicaram às autoridades movimentações suspeitas por parte dos responsáveis da empresa.

De acordo com a Gotham, o grupo brasileiro mantinha várias contas na Suíça em bancos como o UBS e Credit Suisse.

A partir de 2017, procuradores suíços solicitam a colaboração do Brasil em investigações conduzidas contra o lobista Mario Frederico de Mendonça Goes, o ex-executivo da Andrade, Paulo Roberto Dalmazzo, Hercilio Arlota Cosenza, e o ex-diretor de engenharia da Petrobras Pedro José Barusco Filho, além de Antonio Eduardo Magalhães Alves Dias.

Todos seriam ouvidos por procuradores brasileiros na presença de representantes das autoridades suíças.

A constatação dos suíços é de que a "[Andrade] é acusada de não ter tomado todas as medidas organizacionais necessárias e razoáveis entre 2007 e 2012 para impedir o suborno passivo de funcionários públicos estrangeiros dentro do grupo".

"Em particular, a organização deficiente permitiu a criação de uma estrutura propícia a pagamentos corruptos no valor de vários milhões de dólares e euros que se prolongaram por um período de, pelo menos, 5 anos", indicou.

Pela investigação, seriam revelados que a empresa pagou aos executivos, na Suíça, US$ 19 milhões e 2 milhões de euros. Entre os beneficiados estavam Paulo Roberto Costa e Pedro José Barusco Filho.

Os fatos foram reconhecidos pela empresa ainda em 2018. Mas indicou que a única pessoa que guardava os registros dos pagamentos era um diretor que já havia falecido.

Doleiro

Quem também foi condenado pelos suíços foi o poleiro Renato Hasson Chebar, ainda que a pena se limite a 135 dias de detenção. Ele teria criado uma estrutura envolvendo sete bancos suíços para beneficiar o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral.

O sistema, segundo o Ministério Público Suíço, "permitiu ocultar 100 milhões de dólares em pagamentos corruptos, ou 5% do valor dos contratos adjudicados pelo governo do estado do Rio de Janeiro, do qual Sergio Cabral foi governador". .

Renato Chebar acabou colaborando com a Justiça, permitindo rastrear os subornos recebidos na Suíça. As contas bloqueadas estavam em bancos como Pictet & Cie SA, HSBC, BNP Paribas e Julius Bär. Cofres também foram usados para esconder barras de ouro, pedras preciosas e documentos.


Renato Chebar reconheceu os fatos e foi condenado por falsificação de títulos, já que mentiu ao assinar os formulários.

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