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Jamil Chade


Suíça condena dono de conta que abriu revelações sobre propinas do PMDB

Michael Lauber, procurador-geral da Suíça - Reprodução
Michael Lauber, procurador-geral da Suíça Imagem: Reprodução
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

16/01/2020 05h53

Expedito Machado, filho do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, foi condenado na Suíça por lavagem de dinheiro. A descoberta de uma conta secreta em seu nome teria sido decisiva para confirmar informações sobre como empresas teriam pago propinas para o esquema criado pelo PMDB.

No final de 2019, Expedito Machado foi multado em 540 mil francos suíços. Os recursos obtidos com a venda de seus imóveis no Reino Unido, no valor de US$ 3,4 milhões, também foram confiscados. Uma outra parcela foi restituída ao Brasil, no valor de US$ 20 milhões, de acordo com a publicação de assuntos judiciários na Suíça, Gotham City.

Com apenas 23 anos, em 2007, Expedito foi o responsável por abrir as contas de seu pai, na Suíça. De acordo com o Ministério Público, em Berna, esse esquema teria permitido a lavagem de US$ 40 milhões em bancos como o Julius Baer e HSBC. No total, foram encontradas pelo menos dez contas que serviam à família.

"O valor total de propina recebido no HSBC equivalia à época ao montante de R$ 72,9 milhões", declarou o filho de Machado em depoimento em 2016, no Brasil. "Referida quantia representava pagamentos recebidos das empresas Queiróz Galvão, Camargo Corrêa, NM Engenharia, Galvão Engenharia, Devaran Internacional, Irodotos Navigation a títulos de vantagens ilícitas que somaram R$ 44,7 milhões", explicou.

Foram revelados também pagamentos de R$ 28 milhões de uma empresa ligada ao dono da Avianca, German Eframovich.

Uma das constatações do MP suíço foi a constante transferência de recursos entre essas contas. "Essas operações em cascada sem justificativa econômica visava tornar mais difícil o estabelecimento de uma ligação entre os pagamentos corruptos", explicou o MP.

Nomes

Diante da ação do MP brasileiro contra Expedito em 2016, seu pai optou por entregar o que sabia à procuradoria e colaborar, na esperança de reduzir sua pena. Na época, ele obteve o compromisso do MP Federal de que não haveria uma denúncia contra seus filhos.

Teria sido a descoberta da conta na Suíça e a revelação do filho do presidente da estatal que levaram Sérgio Machado a entregar o partido.

Em sua delação, Sérgio Machado indicou o nome de mais de 20 políticos. Segundo ele, nos 11 anos de presidência da Transpetro, foram repassados mais de R$ 100 milhões para membros do PMDB, entre eles Renan Calheiros e Romero Jucá. A declaração acabou gerando a queda de dois ministro do governo de Michel Temer.

Ele também contou como acertou pagamentos com as empresas Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, no âmbito do acordo do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) na construção de dez navios para a Petrobras. A obra fazia parte de uma promessa de campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"A Queiróz Galvão e a Camargo Corrêa pediram que abrisse uma conta no exterior. Como nunca tinha tido conta no exterior nem offshore procurou seu filho Expedito", explicou Machado.

Diante de sua delação, Machado instruiu seu filho a seguir o mesmo caminho. Expedito confirmou as informações ao MP no Brasil.

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