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Jamil Chade


Mais de 100 milhões de europeus são confinados

Plaza Mayor, marco de Madri, vazia após surto de coronavírus na Espanha - Sergio Perez/Reuters
Plaza Mayor, marco de Madri, vazia após surto de coronavírus na Espanha Imagem: Sergio Perez/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

15/03/2020 12h14

Num cenário inédito, mais de cem milhões de europeus foram ordenados a ficar confinados em suas casas, enquanto governos multiplicam barreiras, fechamento de fronteiras e medidas para tentar conter o novo coronavírus.

Novo epicentro da doença, a Europa é acusada por especialistas e mesmo por outros governos de ter demorado para reagir. Dos cerca de 150 mil casos no mundo, mais de 35 mil estão na Europa. Mas o continente é o que registra o maior número de pacientes contaminados por dia, assim como a maior taxa de mortes.

Além dos 60 milhões de italianos em quarentena, o fim de semana viu os 46 milhões de espanhóis serem instruídos por seu governo a não sair de casa. A exceção é a compra de alimentos e remédios.

Por telefone, diversas famílias em Barcelona e região explicaram à coluna que estão sem saber o que existe ou não de abastecimento, enquanto os contatos pelas redes sociais ou telefone proliferam para tentar obter notícias sobre o que existe à disposição. Proliferam também nas redes sociais como pais transformaram apartamentos em parques para suas crianças, também confinadas.

Em apenas 24 horas, o número de mortes na Espanha dobrou, colocando o governo em um estado de alerta.

Na França, o governo também ordenou o fechamento de cinemas, restaurantes, bares e parques. Nos próximos dias, o transporte de trem também será fortemente restringido. Mas Paris ainda não estabeleceu a quarentena para sua população. O país vive eleições municipais neste final de semana e sua manutenção foi alvo de duras críticas. A taxa de participação deve ser uma das menores da história eleitoral do país.

Na Áustria, o governo determinou a proibição de qualquer reunião com mais de cinco pessoas, enquanto medidas drásticas passaram a ser adotadas em outras partes do continente. A partir de segunda-feira, todas as escolas na Suíça estarão fechadas.

No Reino Unido, as autoridades consideram pedir que as pessoas com mais de 70 anos não saiam de casa.


Fronteiras

Diante da crise global, os líderes do G7 organizam, para segunda-feira uma teleconferência, na esperança de harmonizar medidas e apoio às economias. Um dos temas será ainda de unir esforços para acelerar o desenvolvimento de uma vacina. A OMS, porém, alerta que um produto não estará no mercado antes do final do ano.

Apesar do encontro virtual, a decisão de Donald Trump de interromper os voos para a Europa, sem consultar seus homólogos do outro lado do Atlântico, deixou a UE irritada.

Dentro da própria Europa, a confusão reina sobre a reação do bloco. Diversos países já anunciaram o fechamento de fronteiras.

A Alemanha anunciou o controle das fronteiras do maior país da Europa com a Suíça, França e Áustria. A medida entraria em vigor a partir de segunda-feira, ainda que bens possam continuar a circular.

Jamil Chade