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Jamil Chade


850 milhões de jovens ficam sem escola por conta do vírus

Plaza Mayor, marco de Madri, vazia após surto de coronavírus na Espanha - Sergio Perez/Reuters
Plaza Mayor, marco de Madri, vazia após surto de coronavírus na Espanha Imagem: Sergio Perez/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

18/03/2020 09h48

Um a cada dois estudantes que frequenta escolas ou universidades poderá ser impedido de entrar em seus estabelecimentos de ensino. Dados divulgados pela Unesco revelam que 850 milhões de jovens serão atingidos pelo fechamento de escolas, universidades e o estabelecimento de quarentenas, uma situação inédita no mundo.

Nesta semana, a entidade convocou uma videoconferência global para avaliar uma resposta de emergência e compartilhar estratégias para minimizar a interrupção da aprendizagem em todo o mundo.

Até a semana passada, 363 milhões de estudantes em todo o mundo tinham sido afetados. Mas o número explodiu com decisões que começam a ser anunciadas em novos países.

Até aquele momento, quinze países ordenaram o fechamento de escolas, enquanto outros 14 implementaram fechamentos localizados. Uma semana depois, já são mais de cem países com restrições no ensino.

"Estamos entrando em território desconhecido e trabalhando com países para encontrar soluções de alta tecnologia, baixa tecnologia e sem tecnologia para garantir a continuidade da aprendizagem", disse a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

"Enquanto os países tentam preparar sua resposta, a cooperação internacional é vital para compartilhar as abordagens mais eficazes e apoiar estudantes, professores e famílias", disse.

Uma força-tarefa foi criada para tentar dar uma resposta e a esperança é de que, com o fechamento previsto para durar por pelo menos um mês, empresas como a Microsoft sejam convidadas a apresentar projetos para garantir o ensino à distância.

Além de monitorar o impacto do COVID-19 na educação, a UNESCO publicou uma lista de aplicações e plataformas de aprendizagem de livre acesso para uso dos pais, professores e alunos, bem como dos sistemas escolares.

"A UNESCO está instando os países a usar a inclusão como princípio orientador no planejamento de respostas, reconhecendo que o fechamento de escolas atinge mais duramente os alunos vulneráveis", apontou a entidade, num comunicado.

"Precisamos de nos reunir não só para enfrentar as consequências educativas imediatas desta crise sem precedentes, mas para construir a resiliência a longo prazo dos sistemas educativos", disse Stefania Giannini, diretora-geral Adjunta para a Educação da UNESCO.

Jamil Chade