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Jamil Chade


Com NY no foco, OMS alerta que EUA podem ser novo epicentro de pandemia

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra -
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

24/03/2020 08h43

Dados recebidos durante a noite pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o avanço da pandemia pelo planeta foram considerados como "alarmantes" pelos técnicos da entidade com sede em Genebra.

A entidade ainda está reunindo as informações consolidadas e deve publica-los pela tarde desta terça-feira. Mas, em uma conversa com jornalistas na Suíça, representantes da agência indicaram que o mundo irá registrar um "aumento significativo" em comparação ao que existia na segunda-feira.

Oficialmente, a OMS contabiliza 334 mil casos até a noite de ontem, com 14,5 mil mortes. "Mas devemos nos preparar para um salto importante, com base nos dados que recebemos ao longo da noite", indicou Margaret Harris, porta-voz da OMS.

Segundo ela, 85% de todos os novos casos estão sendo registrados na Europa e EUA. Mas rapidamente a situação americana está se deteriorando. 40% de todos os novos casos seriam americanos. "Há um enorme surto e que está aumentando", explicou.

Para a OMS, os EUA têm o potencial de se transformar no novo epicentro da pandemia no mundo "Estamos vendo uma progressão muito rápida no número de casos nos EUA", alertou Harris.

Até hoje, 35 mil pessoas nos EUA tinham sido contaminadas pelo vírus.

Dentro da OMS, uma das principais preocupações é com o destino de grandes cidades como Nova Iorque, apontava como sendo potencialmente o principal foco de transmissão dentro dos EUA.

A taxa de pessoas infectadas na cidade é cinco vezes maior que a média nos EUA. A demora em aplicar quarentenas e a densidade populacional seriam dois dos elementos que poderiam contribuir para essa proliferação.

Os dados também apontam que a cidade de Nova Iorque teria um terço de todos os casos já confirmados nos EUA. No total, 2,6 mil pessoas estão internadas na cidade e o governo apela para que os hospitais ampliem as áreas destinadas aos infectados pela doença.

Viagens

Se a preocupação com os EUA cresce na agência de saúde, a realidade é que governos pelo mundo ainda não tinham proliferado medidas de proibição de viagens ao país norte-americano, como já havia ocorrido no caso da Europa.

O governo brasileiro, por exemplo, mantém as ligações aéreas com as cidades americanas, apesar de ter limitado para as capitais europeias.

De acordo com a OMS, os números que o mundo conhece hoje da pandemia são, no fundo, uma imagem do que era a transmissão há cinco ou seis dias. Para Harris, as medidas de distanciamento social são importantes. Mas apenas uma reação "agressiva" dos governos para testar, isolar e identificar as pessoas pode controlar a pandemia.

A quarentena, para ela, é importante para "comprar tempo". Mas tais confinamentos não podem ser as únicas medidas adotadas.

Jamil Chade