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Renda deve desabar para metade dos trabalhadores no mundo, alerta OIT

                                 De acordo com os dados apresentados, nesta terça-feira (28), pela equipe econômica, em março de 2020 foram feitos 536.845 requerimentos de seguro-desemprego                              -                                 LEO MOTTA/JC IMAGEM
De acordo com os dados apresentados, nesta terça-feira (28), pela equipe econômica, em março de 2020 foram feitos 536.845 requerimentos de seguro-desemprego Imagem: LEO MOTTA/JC IMAGEM
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

29/04/2020 08h30

A pandemia terá um efeito devastador sobre os trabalhadores da economia informal e sobre centenas de milhões de empresas em todo o mundo. O alerta está sendo lançado pela OIT que, num informe apresentado nesta quarta-feira, revela que as consequências da crise sanitária poderão ser bem maiores do que se imaginava até agora.

"O declínio contínuo e acentuado dos horários de trabalho a nível mundial devido ao surto da COVID-19 significa que 1,6 bilhão de trabalhadores na economia informal - ou seja, quase metade da mão de obra mundial - correm o risco imediato de verem os seus meios de subsistência destruídos", alertou a Organização Internacional do Trabalho. No total, o mundo conta com 2 bilhões de trabalhadores na informalidade.

Em comparação com os níveis pré-crise, espera-se agora uma perda de 10,5 por cento das horas trabalhadas, o equivalente a 305 milhões de empregos em tempo integral. A estimativa anterior da própria OIT apontava para uma queda de 6,7%, equivalente a 195 milhões de trabalhadores. A revisão ocorre por conta do prolongamento das quarentenas.

O resultado será o aumento da pobreza. Na América do Sul, o impacto poderia representar o equivalente a 16 milhões de trabalhadores em tempo integral.

Todas as regiões do mundo serão afetadas. As estimativas sugerem uma perda de 12,4% das horas de trabalho no segundo trimestre de 2020 para as Américas e de 11,8% para a Europa.

Isso significa, na avaliação da OIT, que quase 1,6 bilhão de trabalhadores da economia informal serão duramente atingidos. No total, o mundo conta com 3,3 bilhões de trabalhadores.

"Estima-se que o primeiro mês da crise tenha resultado numa queda de 60% nos rendimentos dos trabalhadores informais a nível mundial", alerta a OIT. "Isto traduz-se numa queda de 81 por cento em África e nas Américas, 21,6 por cento na Ásia e no Pacífico e 70 por cento na Europa e na Ásia Central", apontou.

"Sem fontes alternativas de rendimento, estes trabalhadores e as suas famílias não terão meios para sobreviver", alerta a OIT.


Falências

Outra constatação aponta para o fato de que mais de 436 milhões de empresas enfrentam elevados riscos de graves perdas. "Estas empresas operam nos setores mais duramente atingidos, incluindo cerca de 232 milhões no comércio varejista, 111 milhões na indústria transformadora, 51 milhões em hotéis e nos serviços alimentares e 42 milhões em atividades imobiliárias e outras atividades empresariais.

Para a OIT, o cenário apenas seria evitado se medidas urgentes forem adotadas, garantindo apoio aos trabalhadores e às empresas. Na avaliação da entidade, respostas por parte de governos devem focar no emprego.

"À medida que a pandemia e a crise do emprego evoluem, a necessidade de proteger os mais vulneráveis torna-se ainda mais urgente", afirmou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. "Para milhões de trabalhadores, nenhum rendimento significa nenhum alimento, nenhuma segurança e nenhum futuro", alertou. "Milhões de empresas em todo o mundo mal respiram. Elas não têm poupanças nem acesso ao crédito", insistiu.

"Estas são as verdadeiras faces do mundo do trabalho. Se não as ajudarmos agora, elas simplesmente perecerão", completou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL