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Jamil Chade


OMS pede que governos olhem para possíveis casos antes de dezembro

OMS - WHO/P. Virot
OMS Imagem: WHO/P. Virot
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

05/05/2020 07h18

Diante da descoberta de um caso positivo do coronavírus na França em dezembro, a OMS sugere aos governos e autoridades sanitárias que olhem para a possibilidade de identificar registros anteriores à declaração oficial da emergência, em janeiro.

Nesta semana, médicos franceses indicaram que, ao voltar a testar amostras de pacientes, encontraram provas de que pelo menos uma pessoa teria sido contaminada pela doença, ainda no dia 27 de dezembro.

Um hospital francês de um subúrbio de Paris que voltou a testar amostras de pacientes com pneumonia foi surpreendido com o resultado de que um dos pacientes tinha o coronavírus um mês antes do primeiro caso oficial no país europeu.

Na França, o primeiro caso oficial é de 24 de janeiro. Oficialmente, os casos apenas teriam desembarcado na Europa em janeiro e o primeiro alerta por parte dos chineses ocorreu no dia 31 de dezembro.

Para a OMS, tal descoberta não surpreende, já que turistas e viajantes poderiam ter feito o trajeto para a Europa em 2019, antes da declaração primeira do surto.

Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, sugere que governos olhem até mesmo para eventuais casos em novembro. "Isso nos vai ajudar a ter uma nova perspectiva", indicou. "Isso pode nos ajudar a ver o potencial de circulação do vírus", disse.

A descoberta francesa ameaça ampliar as críticas contra o governo da China, acusado de ter agido com lentidão e tentado abafar os casos iniciais. Pequim rejeita tal acusação.

O governo americano também insiste que o vírus teria vindo de um laboratório em Wuhan. Para a OMS, tal informação não foi entregue pela Casa Branca para a agência e, portanto, a acusação por enquanto não passaria de "especulação".

No mês passado, a OMS passou a ser alvo de críticas do governo americano, por sua suposta proximidade ao governo chinês. Uma das consequências foi o corte de recursos de Washington para o orçamento regular da agência de Saúde.

Jamil Chade