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Jamil Chade


Brasil não adere ao compromisso de 130 países de lutar contra fake news

                                 O presidente Jair Bolsonaro, cumprimenta populares e fala à imprensa no Palácio da Alvorada                              -                                 Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro, cumprimenta populares e fala à imprensa no Palácio da Alvorada Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

16/06/2020 11h49Atualizada em 17/06/2020 18h25

O governo de Jair Bolsonaro não aderiu a uma iniciativa de países de todo o mundo para estabelecer um compromisso de não difundir desinformação em meio à pandemia. O documento foi assinado por 132 países e autoridades.

Aliados do governo Bolsonaro como Israel, Índia, Hungria e Japão assinaram a declaração. Até mesmo o governo dos EUA de Donald Trump aderiu, assim como o Reino Unido de Boris Johnson. Também aderiram ao projeto Alemanha, França e Itália, entre muitos outros países democráticos.

Na América do Sul, fazem parte do projeto o Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, Suriname, Bolívia, Peru e Argentina, além da Venezuela e Equador. Na região, só o Brasil ficou de fora.

Procurado, o Itamaraty não retornou aos pedidos de esclarecimento sobre a decisão de não aderir à iniciativa. Países comunistas como China, Cuba e Coreia do Norte tampouco aderiram ao projeto. O governo russo foi outro que ficou de fora, além de Filipinas.

"Desde o surto do vírus COVID-19 e a declaração da pandemia, o secretário-geral da ONU e outros líderes da ONU e suas instituições têm chamado cada vez mais a atenção para o desafio da "infodemia" ou da desinformação pandêmica", diz o texto. "À medida que a COVID-19 se espalha, um tsunami de desinformação, ódio, bode expiatório e assustador foi desencadeado", alerta.

Segundo os governos, em tempos de crise de saúde, "a propagação da "infodemia" pode ser tão perigosa para a saúde e segurança humana quanto a própria pandemia". "Entre outras consequências negativas, a COVID-19 criou condições que permitem a disseminação de desinformação, notícias falsas e vídeos para fomentar a violência e dividir as comunidades", alertam os governos.

"Por estas razões, pedimos a todos que parem imediatamente de difundir informações errôneas e observem as recomendações da ONU para enfrentar este problema", sugerem os governos.

"A crise da COVID-19 demonstrou a necessidade crucial de acesso a informações livres, confiáveis, factuais, multilíngues, direcionadas, precisas, claras e científicas, bem como de garantir o diálogo e a participação de todas as partes interessadas e comunidades afetadas durante a preparação, prontidão e resposta", dizem.

O documento, que elogia os trabalhos da ONU e OMS nessa questão, ainda confirma o "papel fundamental da imprensa livre, independente, responsável e pluralista para aumentar a transparência, a responsabilidade e a confiança, o que é essencial para alcançar o apoio adequado e a conformidade do público em geral com os esforços coletivos para conter a propagação do vírus".

O compromisso também se refere às responsabilidades. "Estados, organizações regionais, o sistema da ONU e outras partes interessadas como trabalhadores da imprensa, plataformas de rede social e ONGs têm um papel e responsabilidade claros em ajudar as pessoas a lidar com a "infodemia", destacam.

"Também estamos preocupados com os danos causados pela criação e circulação deliberada de informações falsas ou manipuladas relacionadas à pandemia", dizem os países.

"Exortamos os países a tomarem medidas para combater a disseminação de tal desinformação, de forma objetiva e com o devido respeito à liberdade de expressão dos cidadãos, assim como à ordem e segurança públicas", apontaram.

Não ser enganados

Os governos ainda se comprometem em garantir que pessoas "sejam informadas com precisão a partir de fontes confiáveis e não sejam enganadas pela desinformação sobre a COVID-19".

"Esses esforços se baseiam, entre outros, na liberdade de expressão, na liberdade de imprensa e na promoção dos mais altos padrões éticos e de imprensa, na proteção de jornalistas e outros trabalhadores da imprensa, bem como na promoção da informação e da alfabetização midiática, na confiança pública na ciência, nos fatos, na imprensa independente, nas instituições estatais e internacionais", declaram.

"Apelamos à ação de todos os estados-membros e de todas as partes interessadas para combater a "infodemia" para construir um mundo mais saudável, mais justo, justo e resistente", pedem.

"Continuamos empenhados em criar um ambiente de informação saudável a nível nacional, regional e global, em que a "infodemia" seja combatida por informações e fatos científicos, baseados em evidências. Ao fazer isso, estaremos melhor preparados para lidar com a próxima "infodemia", completam.

Jamil Chade