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Jamil Chade


Jamil Chade

Brasil quer Teich na investigação da OMS. Mas governos resistem

Jair Bolsonaro e Nelson Teich - Pedro Ladeira/Folhapress
Jair Bolsonaro e Nelson Teich Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

11/08/2020 06h29

O governo brasileiro quer o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, como um dos membros de uma comissão independente que irá examinar a agência e propor uma reforma do organismo. Mas sua candidatura enfrenta a concorrência de outros nomes da região, já que países como Chile, Peru ou México também apresentaram candidatos e existe entre grupos latino-americanos uma resistência contra nomes propostos pelo Brasil.

Uma investigação sobre o comportamento da OMS diante da pandemia foi uma das exigências dos governo dos EUA. Mas, mesmo com o projeto, Donald Trump anunciou sua retirada da entidade. Em maio, o inquérito foi aprovado em uma resolução que também contou com o apoio do governo brasileiro.

Há um mês, a entidade escolheu as personalidades que irão liderar o processo independente: Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, e Ellen Johnson Sirleaf, ex-presidente da Libéria. Elas, porém, contarão com uma espécie de comissão e é para esse grupo que Teich foi indicado. O brasileiro permaneceu por apenas alguns dias no Ministério da Saúde. Durante seu breve período, ele acenou para recomendações da agência internacional.

Mas o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, deixou claro que a avaliação não será apenas limitado à agência. A meta é também de avaliar até que ponto governos seguiram ou não as recomendações da agência.

A escolha dos nomes que farão parte do grupo deve ser anunciada nos próximos dias. Mas, nos bastidores, a pressão ganhou força nos últimos dias. Há quem resista a ideia de um representante de Bolsonaro, um líder que é visto como adotando uma postura contra o fortalecimento do multilateralismo.

Além disso, há um temor de governos da região de que seu nome brasileiro seja uma forma de o governo americano ter apoiadores dentro do projeto de inquérito. Teich, por sua parte, não compartilhava a posição do presidente Bolsonaro ou do chanceler Ernesto Araújo de rejeição a um papel maior da OMS.

De acordo com a OMS, o grupo pode contar com mais de um nome de uma região. Mas dificilmente conseguirá acomodar todos os nomes propostos.

Em Genebra, a "candidatura" do nome escolhido por Bolsonaro está sendo visto como uma espécie de teste da relação entre a comunidade internacional no setor de saúde e o governo em Brasília.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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