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Jamil Chade

Brasil fará parte de rede que testará novas vacinas

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

27/10/2020 13h43

O governo brasileiro sinalizou de forma positiva à possibilidade de ser usado como campo de testes para novas vacinas contra a covid-19. O projeto contará com a transferência de tecnologia e de ajuda técnica por parte da OMS.

No dia 24 de setembro, a Organização Panamericana de Saúde (Opas) se reuniu pela primeira vez com seis países do continente que potencialmente poderiam fazer parte da iniciativa. Além do Brasil, o encontro incluiu a Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador e México.

A preocupação da OMS é a de encontrar locais para acelerar testes clínicos. Hoje, mais de 40 vacinas estão na fase de testes clínicos. Mas cerca de 150 outras poderiam logo iniciar o mesmo processo. O problema, neste caso, é a falta de redes de saúde e estrutura capaz de organizar esses testes.

Nas últimas semanas, a OMS tem iniciado consultas com diferentes países em outras partes do mundo também, justamente para garantir que empresas e instituições tenham espaço para realizar testes.

O Brasil, por sua dimensão e estrutura de saúde pública, foi um dos procurados e aceitou. Do lado brasileiro, porém, o objetivo é de conseguir algum tipo de acordo que permita transferência de tecnologia ou um acesso às futuras doses.

Num primeiro momento, nem a vacina da Sinovac e nem de Oxford teriam uma escala de produção suficiente para atingir sequer metade da população brasileira. Mas, nesse novo pacote de iniciativas, a possibilidade é de que os produtos cheguem ao mercado apenas em 2021.

O objetivo dos testes, segundo a Opas, é coordenar uma avaliação rápida, eficiente e confiável das vacinas em desenvolvimento.

"O desenvolvimento destes ensaios clínicos em alguns países de nossa região exigirá uma ampla coordenação técnica, política e operacional, daí o papel dos escritórios da OPAS nos países ser vital", disse Jarbas Barbosa, diretor-assistente da Opas.

Para que possam fazer parte, os países terão de cumprir exigências, como manter comitês de ética, ter programas funcionais de imunização e centros de pesquisa com experiência em ensaios de vacinas.

A OMS ainda garantiu aos países que fazer parte do projeto não afetaria suas respectivas participações no Covax, a aliança mundial de vacinas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL