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Jamil Chade

OMS: início da vacinação não pode levar brasileiros a baixar a guarda

Enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, é a primeira brasileira a receber dose da vacina Coronavac - Governo do Estado de São Paulo / Divulgação
Enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, é a primeira brasileira a receber dose da vacina Coronavac Imagem: Governo do Estado de São Paulo / Divulgação
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

18/01/2021 14h15

O início da vacinação no Brasil não significa o fim da pandemia e a população não pode baixar a guarda, sob o risco de ver o número de casos e mortes aumentar ainda mais. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS) que, nesta segunda-feira, deixou claro que o vírus continua a se expandir e que, em breve, uma taxa de 100 mil mortes por semana poderia ser registrada.

Em entrevista à BandNews e UOL, a vice-diretora da OMS, a brasileira Mariângela Simão, deixou claro que o início da vacinação no Brasil é um passo importante no combate contra a covid-19. Mas fez um apelo para que os cuidados sejam reforçados.

"É muito bem-vindo o início da campanha de vacinação. Mas, ao mesmo tempo, isso não pode levar a uma falsa sensação de segurança", alertou.

"Não vamos ter cobertura suficiente por alguns meses para ter uma proteção maior e, mais do que nunca, é extremamente importante que as medidas de controle sejam intensificada neste momento", afirmou.

"Não é o momento de baixar a guarda, num momento em que temos uma luz no final do túnel, que é a chegada da vacina", afirmou a vice-diretora.

Segundo ela, o Brasil tem uma "excelente história" em campanhas de imunização e, ao contrário de outros países, está acostumado a vacinar adultos. "A logística é enorme. Mas o país tem condições de levar a vacina. A questão é que não tem vacina suficiente. A disponibilidade de vacinas no mundo é muito pequena", constatou.

"Há uma euforia. Mas precisamos pensar que não temos a capacidade produtora no mundo", disse a brasileira, lembrando o caso da Pfizer, que anunciou que irá atrasar a entrega das doses já encomendadas.

De acordo com a vice-diretora, existem 40 milhões de doses aplicadas até hoje no mundo, em 40 países. Em 44 deles foi usado o produto da Pfizer. Apenas dois países usaram Sinovac. "Ainda há um enorme caminho pela frente para fazer com que haja uma expansão de fornecimentos e que o Brasil possa ter mais alternativas", disse.

"Existem soluções. Mas elas demoram. Por isso, não podemos baixar a guarda", afirmou. "As vacinas estão chegando. Temos de ter cautela e seguir de forma muito organizada", insistiu. "O vírus está entre nós e vai continuar, provavelmente, por bastante tempo", alertou.

A projeção da OMS é de que o ano poderá terminar com até cinco vacinas no mercado. Mas isso não significa que a curva de transmissão vai cair de forma rápida. Na agência, o objetivo é o de dar um fim à "fase aguda da pandemia" e reduzir a taxa a taxa de mortes. "Para isso, precisa vacinar profissionais de saúde e a população mais idosa", explicou a brasileira.