PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Países pobres começam a receber vacinas de Covax, Brasil aguarda contrato

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Gebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra -
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Gebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

24/02/2021 05h29

Dois meses depois de a vacinação contra a covid-19 começar nos países ricos, as primeiras doses começam a chegar às economias em desenvolvimento. Nesta quarta-feira, Gana será o primeiro país a receber o imunizante, dentro da estratégia liderada pelo consórcio mundial, conhecido como Covax.

Gana foi escolhida para ser o primeiro destino depois de ter submetido à Organização Mundial da Saúde um plano detalhado de como iria distribuir as doses e mostrando que contava com uma cadeia de armazenamento capaz de manter as vacinas em temperaturas adequadas.

O primeiro carregamento para o país africano conta com 600 mil doses da vacina da aliança AstraZeneca/Oxford e produzida pelo Serum Institute, da Índia.

A Covax foi criada para garantir que a imunização também possa ocorrer nos países pobres e a meta é a de distribuir 2,3 bilhões de doses até o final do ano. Hoje, 40% de todas as doses já distribuídas ocorreram nos EUA e Europa.

Mas o plano criado pela OMS vive sérios obstáculos, com empresas privilegiando a entrega de vacinas aos países ricos. Além disso, a falta de recursos até agora havia atrasado qualquer tipo de campanha de imunização.

O objetivo da OMS é de que, nos cem primeiros dias de 2021, todos os países do mundo tenham iniciado suas vacinações. O desafio, dentro da entidade, é considerado como "difícil". Hoje, 113 países ainda não deram início ao processo e 75% de todas as doses estão em apenas dez países.

Doses para Brasil aguardam acordo entre OPAS, Unicef e fabricante

No caso do Brasil, o país também será beneficiado por doses da Covax. Mas as entregas ainda aguardam a finalização de contrato entre a Organização Panamericana de Saúde, Unicef e os fabricantes, o que deve ocorrer nos próximos dias.

O país ficará com 10 milhões de doses das vacinas da AstraZeneca e que esse volume chegará ao país até junho, começando com entregas limitadas a partir do final de fevereiro ou início de março.

O consórcio, em email à coluna, confirmou que o Brasil receberá um quarto desse total no primeiro trimestre, com cerca de 2,5 milhões de doses. Esse número poderá chegar a 3,5 milhões se o abastecimento for confirmado. O restante ficará apenas para o segundo trimestre.