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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

OMS admite que mundo precisa "encarar mais um ano de covid-19"

Vista área do cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus - Michael Dantas/AFP
Vista área do cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus Imagem: Michael Dantas/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

03/03/2021 14h12

260 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 já foram distribuídas pelo mundo. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz um apelo desesperado: a pandemia está longe de terminar e populações terão de manter medidas de distanciamento social e máscaras por um "longo tempo". "Precisamos encarar mais um ano de covid-19", admitiu Mike Ryan, diretor de operações da OMS. Há uma semana, ele já havia alertado que seria "irrealista" falar no fim da pandemia em 2021.

O plano da OMS é o de terminar o ano com um cenário de superação da fase mais aguda da doença. Mas sem ainda uma projeção de controle do vírus.

O alerta é feito um dia depois que entidade registrou, pela primeira vez em quase dois meses, um novo aumento no número de casos de contaminações no mundo, com um salto de 7% e um total de 2,6 milhões de novas infecções. No Brasil, a elevação foi de 18% em apenas uma semana, com um aumento de 11% nas mortes.

Para a entidade, as notícias das vacinas, o impacto econômico de medidas sociais e o cansaço das populações explicam o relaxamento na sociedade e por parte de governos em ações para frear o vírus. O problema, segundo a OMS, é a crise não terminou.

Nos últimos dias, tanto o presidente Jair Bolsonaro como ministros questionaram o uso da máscara e medidas de lockdown, aprofundando as críticas internacionais contra o Brasil.

"A elevação global é muito preocupante", disse Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, nesta quarta-feira. "Mesmo com a introdução de vacinas, ainda precisamos que pessoas continuem a manter distanciamento social, máscara e trabalhar de casa, se possível", disse. "Essas intervenções funcionam", insistiu.

Para a representante da agência, a população adulta ainda terá de esperar por meses para receber doses de vacinas. "Portanto, se deixarmos o vírus espalhar, ele vai se espalhar", disse.

"Esse é um alerta a todos nós. Todos estamos cansados. Mas a pandemia não acabou", lamentou, lembrando que, apenas na semana passada, 63 mil pessoas morreram no mundo. "O vírus continua com muita energia e continua a circular", completou.

Vacina é só parte da resposta

Mike Ryan, diretor de operações da OMS, também fez um apelo similar. "Sempre que relaxamos, o vírus usou as brechas para se expandir", disse. "Não é o momento de relaxar medidas sociais. 80% de todas as vacinas estão apenas em dez países", alertou.

Para ele, se governos retirarem as medidas de forma prematura, "o risco é de alimentar uma nova onda de contaminação".

Ryan insiste que medidas de distanciamento, uso de máscaras e outras medidas "precisam continuar por um período significativo de tempo ainda". "Teremos de continuar a aplicar essas medidas. Não vai acabar logo", alertou.

Na avaliação da OMS, uma estratégia para lidar com a pandemia precisa atender três pilares: convencer os indivíduos a adotar um comportamento responsável, ampliar testes e monitoramento por parte do governo e acelerar a vacinação. "A vacina é só parte da solução", disse Ryan. "Não existem unicórnios aqui. Não adianta falar: basta vacinar e acabou. Temos de testar as pessoas e tantas outras medidas", afirmou.

"Se fracassarmos em um dos três pilares, teremos de voltar ao confinamento total. Ou seja, controlar o vírus está em nossas mãos", disse.

Apesar do alerta, há "luz no final do túnel". Mas o mundo não está no momento de retirar medidas de controle. "Isso só pode ocorrer quando números estiverem profundamente controlados", completou Ryan.