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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Primeira-ministra da Noruega é multada por violar regras da pandemia

Erna Solberg, premiê da Noruega, responde a perguntas de crianças sobre o coronavírus, em Oslo - Lise Åserud / NTB Scanpix / AFP
Erna Solberg, premiê da Noruega, responde a perguntas de crianças sobre o coronavírus, em Oslo Imagem: Lise Åserud / NTB Scanpix / AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

09/04/2021 11h48

Numa democracia, é assim que a pandemia é vivida: o serviço público de jornalismo faz seu trabalho, inclusive investigando as autoridades. A polícia atua, inclusive contra políticos locais. E as autoridades, quando violam a lei, são punidas. Isso é o que ocorreu na Noruega.

A primeira-ministra Erna Solberg foi multada em mais de R$ 13 mil por violar uma regra que seu governo impôs, impedindo que famílias e amigos realizassem eventos com mais de dez pessoas, mesmo em suas casas.

Para comemorar seu aniversário, ele convidou 13 pessoas para um jantar num restaurante. Três a mais do que era permitido.

E como tudo isso foi revelado? A multa foi aplicada depois que a emissora pública do país, a NRK, transmitiu a reportagem sobre o aniversário de Solberg. A notícia levou a polícia a abrir uma investigação formal.

O evento ocorreu em fevereiro e marcaria os 60 anos da chefe de goverrno, já em seu segundo mandato.

Ela pediu desculpas de forma repetida ao longo das últimas semanas e anunciou que irá pagar a multa, sem recorrer.

Do lado da polícia, as autoridades deixaram claro que dezenas de outros episódios da mesma natureza já foram identificado em Oslo, com jovens e outras famílias. As multas aplicadas, porém, não foram cobradas.

Mas, no caso da primeira-ministra, a opção da polícia foi por exigir o pagamento, inclusive para que ela seja usada como exemplo.

"Ainda que a lei seja igual para todos, não somos iguais perante a lei", disse Ole Saeverud, chefe da polícia. Para ele, tal medida era fundamental para que as demais pessoas pelo país continuem a respeitar a lei.