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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Pandemia registra pior semana e migra para mais jovens, revela OMS

27.mai.2020 - O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa sobre o coronavírus - Christopher Black/Organização Mundial da Saúde (OMS)/AFP
27.mai.2020 - O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa sobre o coronavírus Imagem: Christopher Black/Organização Mundial da Saúde (OMS)/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/04/2021 12h24

O mundo registrou sua pior semana da pandemia, desde o início da crise sanitária, e a doença migra para atingir adultos e mais jovens. No período de sete dias que terminou no domingo, a OMS registrou 5,2 milhões de casos, o maior número já identificado.

Com os dados, o mundo registrou sua oitava semana consecutiva de alta em casos de contaminações. Há apenas dois meses, a OMS registrava 2 milhões de novos casos por semana. Mas a explosão de infecções, principalmente na Índia e Brasil, mudou a trajetória da curva. O período também foi o quinto consecutivo de aumento de mortes, que já superam 3 milhões de vítimas.

Segundo Tedros Ghebreyeus, diretor-geral da OMS, o mundo precisou de nove meses para atingir 1 milhão de mortos. A marca dos dois milhões, porém, só precisou de quatro meses e, agora, em três meses a marca de 3 milhões foi superada.

Tedros ainda apontou como, nas últimas semanas, um número alarmante de internações ocorreu entre adultos entre 25 e 59 anos de idade, provavelmente por conta de falta de distanciamento social e da proliferação de variantes do vírus, mais perigosas.

Para ele, o mundo tem instrumento para colocar a pandemia sob controle "em questão de meses". Mas, para isso, tais medidas precisam ser implementadas. Tedros ainda também pede que governos e empresas promovam uma transferência de tecnologia para que vacinas possam ser produzidas em diferentes do mundo.

Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, alertou que as constatações apontam para uma mudança nas idades afetadas, com um número de adultos e jovens cada vez mais contaminados. Segundo ela, porém, os maiores contatos da população não ocorrem por proliferação de festas. "Não é isso. São pessoas que saem de casa para trabalhar e trazer alimentos para casa", disse.

Segundo ela, o temor é de que, sem um apoio dos governos para que pessoas fiquem em casa e diante das variantes, há um risco real de que as contaminações possam "decolar".

"Há uma maior internação entre pessoas com menos de 40 anos. Estamos vendo uma mudança de idade e isso está sendo gerado por maior mistura de pessoas", disse. Para ela, variantes e necessidade de sair de casa é uma "mistura preocupante".

Em uma declaração publicada nesta segunda-feira, o Comitê de Emergência da OMS afirmou que "continua preocupado que o mundo não sairá da pandemia a menos que, e até que, todos os países tenham acesso a suprimentos apropriados de diagnósticos, tratamentos e vacinas, independentemente de sua capacidade de pagamento e da capacidade e recursos financeiros para vacinar rápida e efetivamente suas populações".

"As desigualdades dentro e entre todos os países estão retardando o retorno à vida social e econômica normal", alertam os especialistas da entidade.

Entre as medidas, a OMS pede que haja um esforço de solidariedade global para aumentar o acesso às vacinas, apoiando a Covax e engajando-se na transferência de tecnologia.

Enquanto as vacinas não estão disponíveis para todos, a OMS ainda recomenda que as doses sejam destinadas de forma prioritária para garantir que as populações mais vulneráveis sejam atendidas.