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Jamil Chade

Covid-19 já teria matado 600 mil pessoas no Brasil, diz instituto dos EUA

Vista área do cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus - Michael Dantas/AFP
Vista área do cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus Imagem: Michael Dantas/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

06/05/2021 19h18

Resumo da notícia

  • Número é quase 200 mil a mais do que mostram os registros oficiais
  • No mundo, instituto estima que 6,9 milhões de pessoas já perderam a vida para o vírus, duas vezes mais que a conta oficial global
  • Subnotificação é problema generalizado e que não revelaria a real dimensão da crise

No mundo, o número de pessoas vítimas da covid-19 já seria de quase 6,9 milhões, mais do dobro das taxas oficialmente registradas pelos países e mesmo pela OMS. O alerta é do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Escola de Medicina da Universidade de Washington.

A entidade independente e que serviu de referência para avaliações do governo americano, estima que, no caso brasileiro, as mortes já chegaram a 595 mil pessoas. Oficialmente, são 408 mil óbitos registrados no país.

Os cálculos apontam que seriam ainda mais de 905 mil óbitos nos EUA, contra um registro oficial de 574 mil. O segundo lugar, de acordo com o instituto, seria a Índia, com 654 mil, seguida pelo México com 617 mil. O Brasil aparece em quarto lugar e, de para os especialistas, o país vive um "claro e significante atraso no registro de mortes desde junho de 2020".

De acordo com o instituto, há uma subnotificação generalizada das mortes pelo novo coronavírus em praticamente todos os países.

Os dados, segundo os autores do estudo, se limitariam a incluir apenas as pessoas que tiveram a morte causada diretamente pelo vírus SARS-CoV-2, e não por outras causas geradas pelo abalo que a pandemia levou aos serviços de saúde.

Para chegar ao número estimado, os pesquisadores compararam os dados de óbitos de cada mês em cada país com a média de mortes no período pré-pandemia.

"Por mais terrível que pareça a pandemia, esta análise mostra que o custo real é significativamente pior", disse Chris Murray, diretor do instituto. "Compreender o verdadeiro número de mortes na COVID-19 não só nos ajuda a apreciar a magnitude desta crise global, mas também fornece informações valiosas para os formuladores de políticas que desenvolvem planos de resposta e recuperação", explicou.

Segundo ele, muitas mortes causadas pela covid-19 não são relatadas porque os países só registram mortes que ocorrem em hospitais ou em pacientes com uma infecção confirmada. "Em muitos lugares, sistemas fracos de registros de saúde e baixo acesso aos cuidados de saúde ampliam este desafio", estima.

"A análise constatou que o maior número de mortes não relatadas ocorreu em países que tiveram as maiores epidemias até o momento", apontou. Na Rússia, o número oficial é apenas um quinto do que o instituto estima, com mais de 500 mil mortes

"Alguns países com epidemias relativamente menores viram um grande aumento na taxa de mortalidade quando contabilizaram as mortes não relatadas. Esta análise mostra que eles podem estar em maior risco de uma epidemia mais ampla do que se pensava anteriormente", apontou.

"Muitos países têm dedicado esforços excepcionais para medir o número de vítimas da pandemia, mas nossa análise mostra como é difícil rastrear com precisão uma nova doença infecciosa de rápida propagação", disse Murray.