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Jamil Chade

OMS: maioria dos países não tem condições ainda de abandonar máscaras

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

14/05/2021 11h08


A OMS (Organização Mundial da Saúde) alerta que grande parte do mundo não tem condições para retirar o uso de máscara em sua população e que essa decisão apenas poderá ser tomada quando a transmissão do vírus cair de forma importante.

A recomendação foi feita nesta sexta-feira, depois que o governo dos EUA passou a não mais exigir o uso de máscaras para pessoas nas ruas e locais públicos. Segundo a agência, porém, essa é uma realidade de apenas uma minoria de países pelo mundo.

De acordo com Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, a máscara é "parte de um pacote" e seu uso depende de vacinas, da taxa de transmissão e da presença de variantes. "Depende do contexto. Controlar a circulação é fundamental para tomar uma decisão sobre a retirada de máscaras", afirmou.

"Não é uma resposta simples de "sim" ou "não", afirmou. "Em alguns países, sociedades controlaram a covid-19 sem vacinas, como na Austrália e Nova Zelândia. Qualquer ajuste precisa levar em conta vários fatores", disse. "Não saímos da crise ainda e existem dúvidas por conta das variantes", alertou.

Mike Ryan, diretor de operações da OMS, também alertou que, se a vacina protege a pessoa da morte, qualquer mudança de regras sociais "dependente do contexto de transmissão local". "Na Nova Zelândia, eles tiraram as máscaras sem vacinas, pois não havia transmissão", declarou. "Em outros locais, mesmo com vacinas, as máscaras continuam", disse.

Segundo ele, dois aspectos precisam ser considerados para uma tomada de decisão semelhante a dos EUA: o nível de vacinação e a taxa de transmissão do vírus. "Estamos num ponto estranho. A transmissão não acabou e as pessoas não foram ainda vacinadas amplamente", alertou.

Para Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, não resta nenhuma dúvida de que a maioria dos países precisa manter suas recomendações para o uso de máscara. "Poucos países podem tirar essas medidas. Maioria precisa continuar com elas", declarou.

Ela destacou que, alguns estudos, já apontam que existem sinais de que a vacina reduz entre 70% e 80% o índice de transmissão da doença. Mas ela alerta que cada caso precisa ser avaliado.

Para a OMS, o mundo ainda precisa estar ciente de que novas variantes do vírus vão aparecer e que governos e sociedades precisarão manter medidas de controle social.