PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

ONG internacional acusa Bolsonaro de promover desinformação sobre pandemia

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

17/06/2021 13h39

Kenneth Roth, diretor-executivo da Human Rights Watch, teceu duras críticas contra o presidente Jair Bolsonaro por sua gestão da pandemia da covid-19. Em um encontro com jornalistas estrangeiros nesta quinta-feira, em Genebra, o chefe de uma das principais ONGs de direitos humanos no mundo acusou o governo brasileiro de ter barganhado com a vida da população e de estar, diante da pressão por sua gestão da crise, minando as instituições democráticas do país. Para ele, o presidente não é apenas um negacionista, mas também um disseminador de desinformação sobre o novo coronavírus.

"Uma coisa que notamos, se damos um passo para trás e avaliamos de que forma a pandemia ocorreu, é que os governos que tiveram o pior desempenho não são aqueles que são ditaduras ou democracias, esquerda ou direita", avaliou Roth. "Mas sim aqueles que têm líderes populistas, que tiveram resultados especialmente ruins", disse.

"Eles estavam mais preocupados com a economia, que pensavam que seria necessário para sua popularidade, e estavam dispostos a correr o risco de ver a pandemia se espalhar, o que eventualmente ocorreu", constatou Roth.

"Isso descreve a situação de Donald Trump nos EUA, Narendra Modi na Índia e Jair Bolsonaro no Brasil", disse. "Isso foi o desastre. Se olharmos, vemos que uma das piores situações da pandemia ocorreu em países com grandes populações onde líderes populistas fecharam os olhos para a realidade científica", insistiu o chefe da Human Rights Watch.

"No Brasil, houve uma reação significativa a isso e está afetando a popularidade de Bolsonaro. Mas está levando ele a contra-atacar contra as instituições da democracia que estão tentando responsabiliza-lo", disse o americano.

Para ele, o presidente brasileiro "tem feito um trabalho particularmente miserável em lidar com a pandemia". "Ele não apenas nega, mas também promove desinformação, desenhada a aumentar sua popularidade, às custas do povo brasileiro", completou.

Na próxima semana, o Conselho de Direitos Humanos da ONU volta a se reunir e espera-se que o órgão avalie um informe produzido sobre a resposta global à pandemia. O documento, ainda que faça críticas contra governos, não cita nomes de países e nem de presidentes.

Diversas ONGs, porém, querem que o trabalho das Nações Unidas continue para avaliar e apontar países que fracassaram em seu trabalho de proteger suas respectivas populações. Um dos casos a ser examinado seria o do Brasil, criticado amplamente por sua gestão da crise.

Ainda em 2020, um relator da ONU chegou a sugerir a abertura de um inquérito por parte do Conselho de Direitos Humanos para avaliar a resposta do governo brasileiro diante da pandemia.

Naquele momento, o Itamaraty se mobilizou para impedir que a proposta ganhasse força e criticou a relatoria da ONU por estar "fugindo de seu mandato" ao sugerir um inquérito internacional contra o país.